Sem uma análise plena nas poucas horas disponíveis" que o Governo teve após a entrega do relatório da comissão técnica independente que analisou os grandes fogos de outubro, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, adiantou que, além da prevenção, haverá "uma aposta numa mais qualificada especialização e crescente profissionalização do sistema de resposta ao risco de incêndios florestais" já este ano.

Estruturas profissionais dos bombeiros chegarão este ano a todos os concelhos e são 189 os municípios identificados como tendo, pelo menos, uma freguesia de risco prioritário de incêndio", afirmou Eduardo Cabrita, numa primeira reação governativa ao relatório da comisão independente.

Além de destacar que "estão em formação 600 elementos dos grupos de socorro da GNR", que deverão "agir, não apenas em parte do território continental, mas em todos os distritos e na Região Autónoma da Madeira", Eduardo Cabrita anunciou que "estão adjudicados dez meios aéreos, como nunca existiram em Portugal, que têm exatamente a ver com a uma resposta permanente, de janeiro a dezembro. Essa resposta nunca existiu com esta dimensão".

"Exigentes com obrigações"

Questionado sobre a possibilidade de incúria por parte da elétrica portuguesa, situação denunciada no relatório que a EDP já negou, Eduardo Cabrita assegurou apenas que o Governo pretende ser firme com as empresas que detêm concessões de serviços públicos.

Não somos juízes. Leremos atentamente todas dimensões deste relatório e relativamente à EDP e a outras entidades concessionárias de serviços públicos seremos muito exigentes no cumprimento das obrigações que estão na lei desde 2006, mas a que a sociedade portuguesa coletivamente não atribuiu durante muitos anos a prioridade que hoje todos atribuímos", expôs o ministro.

Considerando que o "relatório foi entregue esta semana", Eduardo Cabrita sublinhou que o "Governo irá aprofundar a reflexão", além de pretender debatê-lo "na próxima semana, na Assembleia da República".

Valorizamos o relatório e teremos toda a atenção como tivemos com o primeiro relatório para ponderar o aprofundamento da análise dos incêndios de outubro e do que os diferencia dos ocorridos em junho", afirmou o ministro, frisando, contudo, a importância de fenómenos climatéricos no fim de semana de outono, entre 14 e 16 de outubro, "circunstancia absolutamente excecional que justificou que a Comissão Europeia tenha decidido reforçar, inovando o mecanismo europeu de Proteção Civil que visa dar respostas à escala europeia".

O fundamental é a prevenção. Já se fez neste inverno um maior esforço de prevença que alguma vez foi efetuado. E este esforço vai continuar até final de maio", sublinhou Eduardo Cabrita, para quem houve já um "esforço notável de algo, como nunca foi anteriormente efetuado, ao nível da limpeza da floresta".