Alexandre Soares dos Santos defendeu na TVI24, no programa «Olhos nos Olhos», que a solução para a resolução da crise portuguesa passa por um acordo a dez anos entre PS e PSD. O dono dos supermercados Pingo Doce defensou ainda que o primeiro-ministro deveria poder reunir com os juízes do Tribunal Constitucional, em nome do «bem do país», antes de tomar decisões. Por fim, o empresário lembrou que a troika para receber também tem de «dialogar».

«Eu acho que a primeira coisa que é absolutamente necessário fazer é um acordo, a pelo menos 10 anos, entre os dois maiores partidos portugueses. É um problema de responsabilidade. Só não é possível se eles não quiserem assumir essa responsabilidade e se preocuparem mais com as autárquicas», disse.

Soares dos Santos sustentou ainda que o clima atual de contestação em todos os setores não favorece a confiança e que desta forma não é possível haver investimento estrangeiro no país. «Não há consenso em nada. O Governo anuncia uma medida lá está o senhor na televisão a dizer três coisas de asneiras em representação de um sindicato que representa apenas 8% da massa trabalhadora em Portugal. Os da oposição ainda não viram a lei e já estão contra. Estamos todos contra, não dá», sustentou.

«Novos investimentos? Não sabendo se vai haver um segundo resgate ou não, sem saber qual é a política fiscal do futuro, com os impostos a serem alterados todos os dias, não dá. Nós temos que transmitir confiança às pessoas», afirmou.

Além da implementação de um clima de confiança, o empresário defendeu ainda uma atitude de negociação mais firme com a troika. «A verdade é que nós temos que responder e pagar aos credores, mas os credores também têm que dialogar se não também não vêem o dele. O que nós temos é que mostrar aos nossos credores que temos um plano com cabeça, tronco e membros», disse.

O dono do Pingo Doce avençou ainda que o primeiro-ministro, a oposição e o Tribunal Constitucional deveriam reunir e tomar a decisão que melhor servisse os interesses do país. «Por que é que o primeiro-ministro não se pode reunir com o seu staff e o Tribunal Constitucional antes de aprovarem? A separação de poderes? E o bem do país? E o bem comum? O que nós fazemos nas companhias? Eu não tomo nenhuma decisão a sós», explicou.

«O que é que impede um primeiro-ministro de se sentar com o líder da oposição mais o Presidente do Supremo Tribunal e quem ele quiser e perguntar: "O que é que você acha? Qual é a sua opinião?"».