A oposição, em bloco, considerou esta quarta-feira que a decisão de Bruxelas ao colocar Portugal sob vigilância apertada e a pressão do Eurogrupo para medidas adicionais de controlo do défice são resultado da linha de «submissão» do Governo.

Estas posições comuns a PS, PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes foram transmitidas ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, durante o debate parlamentar referente à agenda do próximo Conselho Europeu, nos dias 19 e 20 deste mês.

Pela parte do PS, o deputado Vitalino Canas acusou o Governo de ter dado «uma machadada» no investimento público, limitando agora a capacidade de o país crescer economicamente.

«Urge agora aproveitar o ‘plano Juncker' [da Comissão Europeia]. Esperemos que o preconceito do Governo contra o investimento público não impeça Portugal de participar ativamente neste programa», advertiu.

Vitalino Canas criticou, sobretudo, a atitude de «submissão do Governo português» perante as instituições europeias, dando como exemplo o facto de a França ter agora conseguido mais dois anos para concretizar o seu processo de ajustamento macroeconómico (défice abaixo de três por cento).

«A atitude de submissão do seu Governo contrasta com a voz grossa perante o novo executivo grego - uma atitude incompreensível e inaceitável que não corresponde à nossa História, já que Portugal sempre defendeu a coesão e a solidariedade na União Europeia», advogou o ex-secretário de Estado socialista.


O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu que a decisão da Comissão Europeia de colocar Portugal sob vigilância apertada «é uma consequência direta das regras do Tratado Orçamental» da União Europeia, que foi «apoiado pelo PSD, PS e CDS».

Jerónimo de Sousa disse depois suspeitar que, no âmbito do semestre europeu, se estão a preparar «nas costas dos portugueses» medidas adicionais de austeridade e questionou o primeiro-ministro se aceita a ideia de formação de um exército único europeu.

«Já não basta o neoliberalismo desenfreado e a postura neocolonial perante a Grécia, a União Europeia pretende agora assumir o rumo do militarismo», apontou o líder comunista.


Já a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, comparou Portugal «a um bom aluno que afinal chumbou no exame, depois de ter adotado uma atitude de submissão perante a Alemanha».

«Vai entrar fragilizado no próximo Conselho Europeu. Não tem qualquer estratégia para a União Europeia», comentou Catarina Martins, dirigindo-se a Pedro Passos Coelho.

Heloísa Apolónia, pelo Partido Ecologista Os Verdes, criticou o Governo português por «nada falar sobre critérios ambientais» ao nível da política energética da União Europeia.

Numa nota mais global sobre a relação de Portugal com Bruxelas, a propósito da decisão de colocar o país sob vigilância apertada, Heloísa Apolónia concluiu: «Julgo que o Governo português é tão hipócrita como a União Europeia», como reporta a Lusa.