O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, considera que o secretário-geral do PS está a ser “radical” ao dizer que não viabilizará o Orçamento de Estado caso a coligação vença as eleições legislativas, marcadas para dia 4 de outubro.
 

“Eu acho que o desespero nunca é bom conselheiro e acho que o secretário-geral do Partido Socialista, depois do que aconteceu no debate de ontem das rádios, decidiu sob várias formas radicalizar e eu acho que as pessoas não estão nessa atitude. As pessoas não esperam de um candidato a primeiro-ministro que, se não ganhar as eleições, que vota contra um orçamento que não conhece”, declarou Portas num debate com Heloísa Apolónia, na TVI24. 

"Dizer que se vota contra um orçamento que não se conhece, prescindir da oportunidade de o melhorar através da negociação, ou sequer de dar um sinal de respeito pela vontade popular,não me pareceu uma declaração que seja compreensiva pelo eleitorado central", prosseguiu, rematando que, "isso é um sintoma de radicalismo".


Portas lembra ainda que o orçamento "é de recuperação, não só num cenário macroeconómico, mas também nos rendimentos" e que, por isso, "ainda se torna mais estranho que o líder do partido Socialista diga, sem o conhecer, que vota contra". 


Governo descredibilizado


Já Heloísa Apolónia referiu desconhecer porque é que António Costa disse que não viabilizará o Orçamento de Estado caso a coligação ganhe as eleições, mas não poupou críticas ao atual Governo e aos orçamentos dos últimos anos. 

"Eu gostava de lembrar ao Sr. Paulo Portas que este Governo foi o campeão dos orçamentos de Estado inconstitucionais e a Constituição da República Portuguesa deve ter valor e determinar a estratégia de desenvolvimento da sociedade portuguesa", salientou Heloísa Apolónia. 


Este frente-a-frente entre Paulo Portas e Heloísa Apolónia encerra o ciclo de debates que antecedeu a campanha eleitoral que arranca este fim-de-semana.  

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