O ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, afirmou hoje ao diário espanhol El Mundo que Portugal «controla o seu destino» e pode escolher a melhor forma de aceder aos mercados no final do programa de resgate.

Sem detalhar se a transição para os mercados será feita «como a Irlanda ou de outra maneira», quando terminar o programa de assistência financeira, a 19 de maio, Miguel Poiares Maduro garante, no entanto, que não «haverá novo programa» e que Portugal «já controla o seu próprio destino», podendo «decidir a melhor forma de aceder aos mercados e completar as reformas».

Na entrevista, salienta ainda que «há muitos obstáculos no caminho» e que «os sacrifícios não acabaram», pois é preciso «continuar com a disciplina orçamental».

Quanto às reformas que estão por concluir, adianta que «há várias, sobretudo as que afetam a estrutura do Estado, que não podiam ser feitas no pico da crise» e dá como exemplo os salários dos funcionários públicos.

«É cada vez mais difícil contratar gente válida para a administração porque os salários não são competitivos face ao setor privado, mas não estamos em altura de poder agir», continua o ministro, prometendo para as próximas semanas anúncios relativos à modernização e reorganização da administração pública e simplificações regulatórias.

Poiares Maduro salienta ainda que a avaliação internacional das reformas «tem sido muito positiva», apontando indicadores que «põem Portugal numa posição destacada na Europa», como as exportações.

«Pela primeira vez, em décadas, há perspetiva de crescimento sustentável», acrescenta, sublinhando que Portugal nunca tinha tido excedente comercial na sua história.

Questionado sobre se o Governo se arrepende de alguma coisa, Poiares Maduro responde que qualquer Governo mudaria coisas, se pudesse voltar atrás, mas frisa que «as políticas aplicadas foram as corretas» como «demonstra a situação atual».