Atualizado às 12:42

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que o Governo procurará que o PS se pronuncie «de forma determinada» sobre a trajetória da dívida e do défice a incluir no Documento de Estratégia Orçamental.

Durante o debate quinzenal, no Parlamento, o chefe do executivo PSD/CDS-PP considerou que deve existir «uma visão o mais alargada e consensual possível» sobre esses objetivos de médio prazo.

«Estamos convencidos de que, se isso acontecer, quaisquer que venham a ser as condições objetivas do mercado na altura em que o nosso programa terminar, Portugal estará em melhor condições de preparar a sua saída para mercado, com apoio, maior apoio ou menor apoio dos seus parceiros europeus», acrescentou.

Quanto à forma como «Portugal transitará deste programa de assistência para pleno acesso a mercado», o primeiro-ministro afirmou: «A Irlanda definiu os termos da sua saída a um mês da conclusão do seu programa, e fez bem, porque as condições objetivas que definiram a facilidade ou dificuldade de passagem a mercado estão relacionadas com condições de mercado que só podem ser avaliadas na altura própria».

Em resposta ao líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, o primeiro-ministro sustentou que se «respira na sociedade portuguesa», face aos dados da evolução da economia e do emprego, um «sentimento totalmente diferente», embora haja «um desfasamento» entre os resultados e os seus efeitos na vida dos portugueses.

Antes, Luís Montenegro disse que Portugal tem «uma situação orçamental controlada», registou uma descida da taxa de desemprego em termos homólogos «que não sucedia desde agosto de 1988» e uma «baixa acentuada, sólida e consistente das taxas de juro» da dívida pública.

Ainda sobre a transição de Portugal «para pleno acesso a mercado», Passos Coelho observou que «não é nem com opiniões de comentadores nem com opiniões de jornais que o Governo de quinze em quinze dias muda a sua opinião» sobre essa matéria.

Segundo o primeiro-ministro, neste momento a preocupação do executivo é mostrar «determinação quanto aos objetivos de médio prazo, porque é isso que estará em causa quando se tiver de encontrar um nível de medição do risco de investir na dívida portuguesa».

Passos Coelho voltou a afastar o cenário de um segundo programa de resgate: «Não é isso que, tudo nos leva a crer, irá acontecer».