O primeiro-ministro recusou esta quarta-feira que o seu encontro de terça-feira com Angela Merkel seja um «ato de submissão», considerando que a realização de encontros bilaterais com outros chefes de Governo é «um ato de grande soberania».

«Não só não é nenhum ato de submissão, como é um ato de grande soberania poder realizar encontros bilaterais com outros chefes de Governo que respeitamos no âmbito da União Europeia. Fi-lo em Berlim, como faço em qualquer outro país da União Europeia», afirmou o primeiro-ministro, durante um debate no parlamento com o Governo sobre o Conselho Europeu.

Explicando que aproveitou a visita a Berlim, realizada no âmbito de um convite do jornal alemão «Die Welt» para participar numa conferência, para «trocar impressões» com a sua «colega chefe de Governo chanceler Angela Merkel», Passos Coelho aproveitou para deixar um agradecimento pela forma como os parceiros europeus têm cooperado com Portugal ultrapassar as dificuldades.

«Têm sido uma cooperação essencial», sublinhou.

Passos Coelho, que falava na Assembleia da República no encerramento do debate preparatório do Conselho Europeu, que decorre quinta e sexta-feira, aproveitou ainda para se dirigir ao secretário-geral do PS, acusando António José Seguro de oferecer «zero de expetativa positiva e de esperança ao povo português».

«Diz que nós sozinhos não vamos lá, mas a Europa também não nos resolverá o nosso problema», criticou, ironizando que se não fosse primeiro-ministro e tivesse acesso a tanta informação «ficaria assustado com essa visão de quem se propõe dirigir o país no futuro».

Antes, durante a intervenção da bancada do PSD, o líder do grupo parlamentar, Luís Montenegro, voltou a falar sobre a importância do PS estabelecer compromissos políticos.

«O compromisso do PS com as orientações estratégicas principais do país nos próximos anos é um bom sinal para os mercados», frisou.

Pela bancada do CDS-PP, o deputado Ribeiro e Castro centrou-se na questão da Ucrânia, que classificou como uma «crise grave e muito perigosa».

Defendendo que não se deve contribuir para uma «escalada» dos problemas, o deputado democrata-cristão fez votos para que se consiga alcançar «uma saída limpa para a embrulhada que se armou na fronteira leste da União Europeia» e que classificou como «o mais estrondoso fracasso da política de vizinhança da União Europeia e o mais intenso desafio com que está confrontada».

«Não queremos confrontação com a Rússia, mas é indispensável que a Rússia não queira confrontação com o resto da Europa e que perceba que vivemos no século XXI e não no século XIX ou no século XX», acrescentou.

Na sua intervenção, Ribeiro e Castro, que já desempenhou o cargo de eurodeputado, confessou ainda ter algumas saudades das décadas em que se lamentava que a Europa era um «gigante económico e um anão político».

«Hoje somos um grandalhão económico, um pouco desajeitado, temerosos do nosso desígnio, e politicamente demasiadas vezes em desconchave», acrescentou, fazendo votos para que o Conselho Europeu e o tempo que decorre até às eleições europeias possam representar «mais uma oportunidade para fazer renascer o tempo europeu».