O primeiro-ministro garantiu esta quarta-feira, no debate quinzenal no Parlamento, que os cortes salariais impostos em 2014 na função pública são temporários, mas avisou que Portugal não vai poder voltar às remunerações anteriores à crise económico-financeira.

«Há medidas que são temporárias e nós temo-las assumido como temporárias. Dou-lhe um exemplo claro: os cortes salariais que foram na função pública ainda para este ano (2014) são temporários. Se é verdade que não podemos regressar ao passado, à mesma bitola salarial, também não podemos manter, ad aeternum, este nível de desvio e de distorção do leque salarial da administração pública porque isso põe em causa o seu futuro», afirmou Passos Coelho, em resposta ao líder comunista, Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP tinha questionado o líder do executivo da maioria PSD-CDS-PP sobre quais são as medidas que o Governo tem para apresentar, designadamente «os anunciados cortes adicionais previstos de dois mil milhões de euros».

«Há uma diferença entre vestir uma cinta e comprimir as despesas ou realmente emagrecer o Estado. Não há um português que não tenha a noção clara de que não podemos voltar exatamente aos níveis de remuneração que tínhamos antes desta crise. Não é possível. Agora, apresentaremos essas medidas que nos permitem manter a trajetória orçamental, seja do lado das pensões, seja das remunerações da administração pública», afirmou Passos Coelho.