Atualizado às 12:36

António José Seguro defendeu, esta sexta-feira, na Assembleia da República que os cortes na saúde estão a deixar o setor em situação de rutura, mas o primeiro-ministro negou e fala em picos de procura nas urgências.

Durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro, o primeiro deste ano, o líder do PS motivou protestos na bancada do PSD ao apontar situações que estarão a ocorrer em urgências hospitalares em que o doente chega a esperar cerca de 20 horas para ser atendido.

Mas Pedro Passos Coelho rejeitou qualquer situação de rutura e defendeu que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem aumentado a sua resposta e acusou o líder socialista de «obter aproveitamento» a partir de «picos de utilização do sistema».

O secretário-geral dos socialistas também quis saber depois «porque é que havendo o mesmo dinheiro, há menos bolsas».

O primeiro-ministro garantiu que «o país não desinvestiu nestes anos na ciência, apesar da crise» e clarificou uma resposta que já tinha dado à deputada Heloísa Apolónia. «Diminuíram o número de bolsas no modelo geral, mas vão aumentar em programas de doutoramento, que serão responsáveis por 1070 bolsas nos próximos anos».

O primeiro-ministro lamentou a posição do PS perante os bons resultados que a economia e o desemprego têm revelado. Mas o líder do PS não atenuou o tom das palavras e disse ao primeiro-ministro: «Não viva na lua, desça à realidade».

Seguro defendeu que menos 50, 100 ou 200 euros no bolso dos pensionistas ou reformados «faz toda a diferença» e, depois, lembrou os milhares de postos de trabalho perdidos e os 200 mil portugueses que emigraram. O «Governo fala em milagre económico e prepara-se para abrir uma garrafa de champanhe», lamentou.

«O país que o senhor fala não existe. O que existe é um país em sofrimento, sem classe média, sem jovens que possam olhar com esperança o seu futuro e com idosos e reformados que este Governo corta nas pensões que eles ganharam ao longo de uma vida inteira fruto do seu trabalho», acrescentou.

«Não existe nenhum subdesenvolvimento»

Antes, confrontado com acusações de subdesenvolvimento das políticas públicas, por parte do partido «Os Verdes», Passos Coelho garantiu que nas áreas da saúde e educação «não existe nenhum subdesenvolvimento».

«Em matéria de saúde não vivemos nenhuma situação de anormalidade, embora por vezes se note o esforço de deputados da oposição para dar a entender o contrário». Depois enumerou dados que apontam para o aumento das cirurgias, das consultas externas dadas em hospitais e das consultas de enfermagem ao domicílio durante o ano de 2013.

Reconhecendo que o país tem enfrentado «restrições muito importantes», Passos Coelho assegurou que o Governo tem tentado responder da forma mais equilibrada possível, protegendo as políticas mais relevantes do ponto de vista social, nomeadamente na área da saúde e da segurança social, protegendo os que têm menos recurso e que são as «vítimas mais fortes da crise económica».

Mas na resposta, Heloísa Apolónia disse que «o que o país percebe é que o primeiro-ministro vive no mundo da lua e vivendo no mundo da lua não consegue promover políticas que se adequem à terra».

O secretário-geral do PCP criticou a postura de «propaganda oficial sobre retoma e milagre económico» do Governo de Passos Coelho, acusando-o de «torturar» estatísticas, enquanto o primeiro-ministro afirmou que o executivo da maioria se limita a ser realista.

«Em todo o mundo, ninguém pode garantir financiamento ilimitado. Nem o primeiro-ministro nem qualquer gestor público pode dizer "mande a conta que os portugueses lá mais para a frente hão de pagar"», disse Passos Coelho, defendendo que «o Estado tem de ter boas contas» e que o executivo não está «a desenhar qualquer quadro idílico para o país», mas a ser realista.