O primeiro-ministro acusou esta quarta-feira os subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida de serem «os mesmos que falavam na espiral recessiva» e disse espantar-se que «pessoas tão bem informadas» levantem essas questões.

«Eram os mesmos que falavam na espiral recessiva, que isto não tinha saída nenhuma», disse o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

De seguida, o primeiro-ministro citou o Presidente da República, Cavaco Silva, apoiando a ideia expressa pelo chefe de Estado segundo a qual falar em reestruturação da dívida seria um ato de «masoquismo».

Passos Coelho, que falava numa conferência sobre o pós-troika, promovida pelo Jornal de Negócios e a Rádio Renascença, em Lisboa, foi particularmente duro na forma como se referiu às 70 personalidades, de diversos quadrantes políticos, que subscreveram o manifesto pela reestruturação da dívida.

«Isso está totalmente fora de questão e espanta-me como é que gente tão bem informada suscita essas questões numa altura em que estamos a regressar a mercado com níveis de confiança como já não tínhamos há vários anos e quando estamos, ao mesmo tempo, a conseguir a mostrar um nível de crescimento da economia como não temos há mais de 12», argumentou.

Já antes, quando se referiu aos cortes nos salários e pensões não poderem, como tem reiterado, regressar aos níveis de 2011, o primeiro-ministro disse que as «pessoas simples» tinham mais facilidade em entender isso, porque reabriria o problema.

Também a Comissão Europeia já se manifestou, e contra, contra a reestruturação da dívida portuguesa. Bruxelas diz que esse cenário está «completamente fora dos planos» e que Portugal está no «bom caminho» para sair do programa.

Na mesma linha, o antigo ministro das Finanças, Eduardo Catroga também se mostra contra, dizendo que o manifesto «não tem sentido» e, Paul Thomsen, antido chefe da missão do FMI para Portugal também apoia Passos Coelho.