A situação na Grécia é uma preocupação para todos os países da União Europeia, mas o país tem de perceber que não pode ser beneficiado com "exceções", defende Cavaco Silva.

De visita de Estado à Bulgária, o Presidente da República foi questionado, em conferência de imprensa, sobre o impasse que se vive há cinco meses, com falta de acordo entre Atenas e os credores - ainda no último fim de semana as negociações falharam mais uma vez

"Num espaço tão integrado como é este da zona do euro, com uma moeda única, com um banco central único e com uma única política cambial há regras que não podem deixar de ser respeitadas, não podem ser abertas exceções para nenhum país e a Grécia tem de facto que convencer-se, e é provável que depois destes meses de negociações e contactos com a troika e negociações com países, esteja já mais consciente da realidade que não pode, de facto, ignorar"


Cavaco Silva disse que Portugal "gostaria fortemente" que a Grécia continuasse a pertencer à zona euro "e tem ainda esperança de que se alcancem negociações" frutíferas nesse sentido. 

"Espero bem que, aproximando-se o final deste mês, em que chegue ao fim o segundo programa de resgate, seja alcançada uma decisão, porque se isso não acontecer, estamos confrontados com um problema extremamente sério"


Portugal preparado para choque


O Presidente da República lembrou que, com as regras europeias vigentes, quando um país deixa de estar sujeito a um programa de ajustamento, não pode continuar a ter apoio do BCE.

Por isso, deixou um apelo: "Desejo que quanto rapidamente que tanto quanto possível, se possível esta semana, seja encontrado um entendimento entre a troika e os negociadores gregos, entre o governo grego e os membros do Eurogrupo".

"Mas repito: a preocupaçao é de todos, não apenas de um país em particular", insistiu ainda.

Cavaco Silva admite danos colaterais no caso de uma saída da Grécia do euro, mas garante que Portugal está muito mais bem preparado para enfrentar qualquer problema que aconteça noutro país da União Europeia. 

Depois da intervenção do seu homólogo búlgaro, no seu discurso o Presidente português fez referência ao problema "fundamental" na Europa, o desemprego, pedindo à UE uma "solução muito clara" para o problema.  

Ainda antes de chegar à Bulgária, durante a viagem de avião, Cavaco Silva teve uma conversa informal com os jornalistas sobre a TAP, mostrando "aliviado", palavra sua, com o avanço da privatização.