Atualizada com mais pormenores às 13h46

O presidente da Comissão Europeia elogiou, esta terça-feira, o trabalhado realizado pelo anterior ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e desejou felicidades à sua sucessora, Maria Luís Albuquerque, sublinhando a coragem necessária para assumir a pasta no atual contexto.

«Admiro muito qualquer pessoa que aceite ser ministro das Finanças de Portugal nas atuais circunstâncias, quer o dr. Vítor Gaspar, quer, agora, a dra. Maria Luís Albuquerque», declarou José Manuel Durão Barroso, em Estrasburgo, a jornalistas portugueses, à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu.

No dia em que Maria Luís Albuquerque vai tomar posse, na sequência da demissão do anterior ministro, anunciada na segunda-feira, Durão Barroso destacou o que considera ter sido um contributo fundamental de Vítor Gaspar para Portugal recuperar a «credibilidade financeira» e manifestou confiança no trabalho a ser desenvolvido pela nova ministra.

«O dr. Vítor Gaspar assumiu as funções de ministro das Finanças num momento extremamente difícil para a economia portuguesa. Eu acho que isso todos, mesmo os seus críticos, reconhecerão. E a verdade é que, em grande medida graças à sua ação, Portugal foi progressivamente recuperando a credibilidade financeira que havia perdido», declarou.

Relativamente à nova ministra, considerou tratar-se de «alguém também reconhecida pelos seus colegas aqui na União Europeia, graças à sua competência».

«Desejo-lhe, aliás, as maiores felicidades. Acho que é essencial que Portugal continue a criar as bases para poder voltar ao crescimento sustentado, para que, precisamente, possa assim responder às principais preocupações sociais, que são aquelas que hoje em dia têm os portugueses», concluiu.

Maria Luís Albuquerque, que até agora era secretário de Estado do Tesouro, toma posse hoje à tarde como ministra das Finanças, no Palácio de Belém, em Lisboa, depois de na segunda-feira Vítor Gaspar ter apresentado o pedido de demissão.

Numa carta enviada ao primeiro-ministro, Vítor Gaspar admitiu ter pedido duas vezes a demissão do Governo, em 2012 e já em 2013, e justifica a sua saída com a falta de «mandato claro» para concluir atempadamente a sétima avaliação da troika.

Esta foi a segunda saída de um ministro do XIX Governo Constitucional, depois da demissão de Miguel Relvas do cargo de ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, em abril deste ano, e a sexta alteração no executivo desde que tomou posse em junho de 2011.

Com a exoneração de Vítor Gaspar, fonte do gabinete do primeiro-ministro disse que haverá uma alteração na orgânica do executivo e que Paulo Portas subirá a número dois do Governo, cargo até agora ocupado pelo ministro das Finanças, ficando Maria Luís Albuquerque com o terceiro lugar na hierarquia do Governo.

Entretanto, o Governo admitiu rever as metas do défice, se considerar «necessário por motivos conjunturais».