O secretário-geral socialista pediu hoje ao primeiro-ministro que «não meta mais medo aos portugueses», salientando que, apesar da afirmação da sua «divergência insanável» sobre a estratégia orçamental os juros da dívida não subiram.

«Não meta mais medo aos portugueses. Há pouco no debate que aqui se produziu o primeiro-ministro disse que era muito importante que houvesse um consenso no país para afastar as incertezas dos investidores», afirmou o secretário-geral do PS, António José Seguro.

Cimeira: Passos vai reforçar necessidade de uma «verdadeira união bancária»

No debate no Parlamento com o Governo sobre o Conselho Europeu, que sucedeu ao debate quinzenal, o líder socialista recordou a reunião que manteve com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na segunda-feira, em que transmitiu a existência de uma «divergência insanável» sobre a estratégia orçamental.

«O que é que aconteceu no dia seguinte nos mercados, houve algum aumento da taxa de juro? Nenhuma, pelo contrário, até houve uma ligeira descida. Por uma razão muito simples, é que os investidores sabem que os compromissos que o PS assumiu são para cumprir», argumentou.

«Mas os investidores sabem, e o país também, que houve um momento em que houve uma grande incerteza, em que as taxas de juro aumentaram, ai se aumentaram. Sabe qual foi, senhor primeiro-ministro? Foi em julho e não foi por culpa do PS, foi por causa da demissão dos dois ministros do seu governo, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas», disse.

Sobre a Ucrânia, António José Seguro disse acompanhar o que o primeiro-ministro disse quanto a uma «resolução diplomática, pacífica do conflito».

PCP, BE e «Verdes» criticam austeridade e peso da Alemanha

Comunistas, bloquistas e ecologistas reiteraram hoje as críticas às políticas de austeridade do Governo, impostas também a partir de Bruxelas, e o peso da Alemanha em todo o processo de decisão, no parlamento.

«A imagem mais significativa da semana é a da ida (do primeiro-ministro) a Berlim, que se mostrou contente com a obediência às medidas orçamentais. É o próprio Governo a prestar contas a Berlim, desvalorizando o próprio Conselho Europeu. Afinal, quem manda neste Governo é Angela Merkel (chanceler alemã)», afirmou, acrescentando que Portugal «está refém dos interesses» da Alemanha e que «a austeridade não paga dívidas, é preciso investimento e renegociar a dívida».

A deputada de «Os Verdes» Heloísa Apolónia criticou o facto de serem impostas «determinadas metas sem ter em conta diferentes realidades».

«As metas que nos são impostas são incompatíveis com a nossa capacidade de gerar crescimento e riqueza», afirmou, notando que do encontro entre Passos Coelho e a chefe do governo germânico saiu «essa grandeza alemã e essa pequenez de Portugal».

O líder comunista, Jerónimo de Sousa, sublinhou que «o atual rumo das políticas europeias leva ao aumento da exploração, à canalização de recursos públicos para a banca e à garantia de lucros fabulosos para os grupos transnacionais, à custa dos direitos dos trabalhadores».

«Quer o Conselho (Europeu), quer a Comissão (Europeia) estão a protagonizar uma gigantesca campanha de mistificação no sentido de que a crise já acabou, com vista às eleições que aí vêm», criticou, «num processo que cresce nas costas dos povos, retirando-lhes o inalienável direito de autodeterminação», nomeadamente em «instrumentos essenciais» como a «autonomia monetária».