O Presidente da República disse, esta sexta-feira, que espera, com o retomar do rumo económico do país, «que seja possível corrigir algumas das injustiças dos últimos anos». Cavaco Silva falava aos jornalistas depois de ser instado a comentar a possível substituição da CES por medidas calculadas a partir do índice económico e demográfico.

O Presidente da República adverte que a haver mais cortes, deverão incidir sobre quem tem rendimentos mais elevados e não sobre os pensionistas. Cavaco Silva diz não ter informação «que aponte para a redução do rendimento disponível» de funcionários públicos e pensionistas.

«Não tenho nenhuma informação que aponte para a redução do rendimento disponível daqueles que foram duramente atingidos nos últimos anos, funcionários públicos e pensionistas», afirmou.

Segundo o chefe de Estado, que falava aos jornalistas no concelho de Arronches, é mesmo «difícil», no caso específico dos pensionistas, «continuar a exigir mais sacrifícios».

Mas, sustentou Cavaco Silva, «se for necessário reduzir o rendimento disponível de alguém no futuro, tem que ser àqueles que têm elevados rendimentos e que, até este momento, não foram seriamente prejudicados no seu bem-estar».

Sobre este assunto, contudo, o Presidente da República sublinhou que, tanto quanto sabe, «não existe nada de concreto» sobre novos cortes, não sendo do seu conhecimento que «estejam a ser preparadas medidas nesse sentido».

«Outros podem especular, mas o Presidente da República não pode especular. Tem que aguardar que lhe sejam apresentadas decisões que, aliás, não deixam de passar pela Assembleia da República e, depois, ponderá-las devidamente», frisou.

As declarações do Chefe de Estado foram feitas à margem de uma visita ao Centro de Identidade Local da freguesia de Esperança, concelho de Arronches.

Num encontro informal com jornalistas, esta semana, fonte oficial do Ministério das Finanças disse que o Governo está a avaliar a possibilidade de aplicar a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) de forma permanente, ajustando o valor das pensões a critérios demográficos e económicos.

Depois do encontro e da informação divulgada, as direções do Diário Económico, Público, DN, JN, Correio da Manhã, Dinheiro Vivo e da agência Lusa assinaram uma nota em que rejeitam as afirmações do ministro Marques Guedes de que as notícias sobre um eventual corte permanente de pensões eram manipulação.

Em Moçambique, o primeiro-ministro disse que o Governo não tem, nesta fase, nenhuma discussão «em cima da mesa» sobre reduções adicionais de salários e pensões, mas insistiu na necessidade de garantir a sustentabilidade do sistema de Segurança Social.

Passos Coelho afirmou ainda que o debate público em Portugal «podia ser mais sereno e mais informado» e que espera que «os membros do Governo contribuam também para isso».