O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, assegurou esta quarta-feira que vai responder às perguntas enviadas pelos deputados sobre o caso BES, mas crê que não terá muito a acrescentar aquela que é a posição conhecida do Governo português.

O PSD e o CDS chumbaram hoje no parlamento os requerimentos da oposição que pediam o envio de perguntas para o Presidente da República, Cavaco Silva, sobre o caso BES, mas deram luz verde ao envio de questões para o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

«Não creio que tenha muito a acrescentar mas não deixarei de responder aos senhores deputados, evidentemente», respondeu Passos Coelho aos jornalistas, em Santa Maria da Feira.


O primeiro-ministro recordou que não vê «nenhum problema em responder às questões que os senhores deputados queiram formular sobre essas matérias».

«Temo que a minha capacidade para poder acrescentar alguma informação relevante seja muito limitada porque no essencial é conhecida a posição do Governo português. Ela tem sido aliás expressa pela ministra de Estado e das Finanças e nas oportunidades que tive, a pedido do doutor Ricardo Salgado, de o ouvir quando ele o solicitou, foi transmitida uma posição que não é diferente daquela que a ministra das Finanças transmitiu e que é conhecida do resto do país», enfatizou.


O antigo presidente executivo do BES Ricardo Salgado reuniu-se duas vezes em 2014 com o Presidente da República tendo alertado Cavaco Silva sobre os «riscos sistémicos» envolvendo o GES e o BES, disse o ex-banqueiro em carta endereçada à comissão parlamentar de inquérito.

Na missiva, conhecida na quinta-feira passada, Ricardo Salgado diz que se reuniu com Cavaco Silva numa primeira fase a 31 de março, ao passo que a 07 de abril se encontrou com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

No dia seguinte o ex-banqueiro esteve com a ministra das Finanças, e a 22 de abril deu-se uma reunião com o agora ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.