O Governo quer os funcionários públicos a partilhar carros e a andar de bicicleta, entre outras medidas ecológicas, segundo o "Programa de Mobilidade Sustentável para a Administração Pública" (ECO.mob), que vai ser apresentado nesta quarta-feira.
 
A implementação do Programa "ECO.mob" prevê uma poupança de cerca de 50 milhões de euros até 2021, de acordo com a resolução 54/2015 do Conselho de Ministros, publicada em Diário da República na terça-feira, mas tem  um custo estimado de 41,5 milhões de euros nos próximos cinco anos.
 
No âmbito da «Gestão da Mobilidade», com um custo previsto de 10,5 milhões de euros, foram criadas seis linhas de ação, que, essencialmente, assentam na partilha da frota do Estado (“car sharing”), na redução das necessidades de mobilidade através da videoconferência, na utilização de bicicletas para deslocações e na realização de um estudo de caracterização das deslocações na Administração Pública.

Relativamente às bicicletas, isto é, "promoção de modos suaves", está prevista a "aquisição de veículos suaves e a criação de condições para a sua utilização, como o estacionamento para bicicletas nos organismos da Administração Pública, a adesão a sistemas de bike-sharing". Medidas que a tutela considera "inovadoras" e que "potenciarão deslocações mais sustentáveis".

Sustentabilidade que atravessa todas as linhas de ação da mobilidade, como a "gestão eficiente e partilhada da frota", através de "car sharing" (partilha de carro) e "car pooling" (partilha de carro particular), e a "promoção da utilização de transportes públicos".

A realização de um estudo sobre as deslocações na Administração Pública, "de forma a quantificar e identificar as necessidades reais", insere-se nos  Planos de Mobilidade Sustentável, que terão um custo previsto de 2,5 milhões de euros.

O programa contempla ainda verbas para cursos de ecocondução (condução ecológica e eficiente) dirigida a motoristas do Estado, além da "sensibilização" destes para a mobilidade elétrica.
 
O Estado pretende com o ECO.mob "motivar a sociedade para a mudança" através do exemplo, "impulsionando" a transição para formas de mobilidade ecológicas e sustentáveis.

Consequentemente, a implementação deste programa deverá traduzir-se na "redução de emissão de gases com efeito de estufa, de óxidos de azoto, de partículas e de ruído, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar em espaço urbano", pode ler-se na resolução.

Em concreto, o Governo espera atingir dentro de cinco anos (2020) "uma redução de 20% das emissões de CO2 da frota do Parque de Veículos do Estado (PVE)", limitando ainda a aqui sição de veículos ligeiros optando pela sua substituição por veículos elétricos, "num total previsto de, aproximadamente, 1200 veículos".

Segundo números oficiais, no final de 2014 o PVE atingia os 26.903 veículos, "o que o enquadra entre as maiores frotas do país",  de acordo com o próprio executivo,  com uma idade média de 14 anos, apesar de nos últimos quatro anos ter conseguido "reduzir a despesa com a frota automóvel na ordem dos 22,1 milhões de euros", nomeadamente através do abate.

A poupança estimada de 50 milhões de euros resultará da substituição da frota (9 milhões), da gestão da frota (29 milhões), de outras medidas como, por exemplo, a ecocondução (11 milhões) e da redução de emissões (1 milhão). 

"Isto não faz sentido nenhum e os trabalhadores quando ouvirem isto vão-se rir", afirmou Ana Avoila, do Sindicato da Administração Pública, em entrevista à TVI, acrescentando que as medidas não passam de uma "estupidez política". "Quem tem motoristas distribuídos são os ministros e os secretários de estado. Aí podem gerir. Podem ir três secretários de estado juntos".

"Isto é para fazer um show-off nesta altura do verão, para demonstrarem uma preocupação que tem a ver com o ambiente, quando a questão fundamental que se prende com o ambiente passa logo pelo emprego que as pessoas não têm". 


Perante as críticas apresentadas ao ECO.mob, durante a apresentação do programa, o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, d isse estar espantado com a rejeição das estratégias apresentadas.

“Hoje acordei com uma certa perplexidade porque percebi que alguém estava a tentar ridicularizar, com má intenção, esta estratégia. Alguém decidiu dizer que este programa basicamente serve para pôr os funcionários públicos a andar de bicicleta e para convencer os funcionários públicos a dar boleia". 


O ministro afirmou ainda lamentar que "alguns equívocos gerados por falta de leitura" do programa do governo.

"Basta ler 31 páginas. Nelas não está dito nada do que foi extraído como conclusão por parte daqueles que quiseram denegrir esta estratégia”.