O PS vai questionar o ex-primeiro-ministro Durão Barroso sobre contactos com o ex-cônsul honorário de Portugal em Munique e a ligação do negócio dos submarinos ao financiamento de partidos, dispensando António Guterres de perguntas, tal como PCP e BE.

No âmbito da comissão de inquérito parlamentar à aquisição de equipamentos militares, tendo ambos os ex-líderes de executivos optado por responder por escrito, o CDS-PP, por seu turno, vai perguntar ao antigo secretário-geral socialista pelos negócios de compra de helicópteros EH101, além de também indagar sobre eventuais encontros com Jurgen Adollf, entretanto exonerado da diplomacia lusa e condenado por corrupção na Alemanha, no âmbito de processos relacionados com a venda a Portugal dos navios submersíveis U-209.

O presidente cessante da Comissão Europeia e antigo líder social-democrata mereceu 28 perguntas por parte dos socialistas, várias das quais semelhantes às de PCP e BE, nomeadamente a sua relação com Adollf e quais as diligências daquele ex-cônsul que terão merecido o pagamento de 1,6 milhões de euros por parte da Ferrostaal, empresa do consórcio germânico dos submarinos.

O PS questiona ainda Durão Barroso sobre o facto de a lei de financiamento dos partidos, de 2003, só ter entrado em vigor em 2005, e se isso tem alguma relação com o negócio efetuado com o processo de aquisição dos navios alemães, além de perguntar se, como presidente da Comissão Europeia durante os últimos 10 anos, teve alguma iniciativa no âmbito das contrapartidas devidas ao Estado português.

«Os deputados do grupo parlamentar do PS não têm qualquer pergunta a fazer ao exmo. sr. ex-primeiro-ministro António Guterres sobre as matérias objeto do presente inquérito parlamentar», declararam os parlamentares socialistas. Os deputados comunistas e bloquistas também não apresentaram qualquer questão a fazer a Guterres.

A maioria avançou com três perguntas genéricas a cada um daqueles protagonistas - sobre a intervenção nas negociações, a existência de reuniões com representantes de fornecedores de material militar e se o interesse público foi ou não acautelado -, acrescentando outras 14 no caso de António Guterres.

«Alguma vez, no seu mandato, conheceu o cônsul honorário de Portugal em Munique ou foi por ele abordado sobre programas de equipamento militar?» e «considera que, depois do seu discurso do pântano, é razoável a assinatura posterior de contrato com a dimensão que o dos EH101 teve?» são algumas das questões, referindo-se a última aos helicópteros de busca e salvamento, já depois do pedido de demissão do segundo governo minoritário socialista, cita a Lusa.