O PCP requereu esta sexta-feira a audição no Parlamento do antigo primeiro-ministro Durão Barroso e do antigo ministro Paulo Portas sobre as conclusões do relatório Chilcot, relativo o envolvimento do Reino Unido na Guerra do Iraque.

De acordo o requerimento do PCP que deu esta sexta-feira entrada na Assembleia da República, “o Relatório Chilcot, recentemente divulgado no Reino Unido, é peremtório” ao afirmar que “as informações que indiciavam a existência de armas de destruição maciça no Iraque eram falsas”.

“Face às revelações agora conhecidas e à importância do conhecimento dos dados deste Relatório, torna-se imprescindível que a Assembleia da República e, especificamente, a Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas volte a discutir esta situação, ouvindo os ex-governantes portugueses para que dêm as explicações necessárias e sejam confrontados com as suas responsabilidades, nomeadamente por terem envolvido Portugal naquela guerra de agressão”, solicitam os comunistas.

Por isso, o PCP quer ouvir na referida comissão parlamentar o ex-primeiro-ministro Durão Barroso e o ex-ministro de Estado e da Defesa Nacional Paulo Portas.

“Na sequência da divulgação do Relatório Chilcot, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido pediu desculpas ao povo britânico”, recordam os deputados comunistas João Oliveira e Carla Cruz.

Para o PCP, “em Portugal, Durão Barroso e o seu Governo, com a realização da “cimeira da guerra” em território nacional e a cedência da Base das Lajes, foram corresponsáveis pela guerra no Iraque e pelos crimes cometidos contra o povo iraquiano”, tendo o então Executivo afrontado “a letra e o espírito da Constituição da República”.

De acordo com as declarações de João Oliveira ao Expresso, que avançou a notícia, além da necessidade de apurar responsabilidades sobre estes acontecimentos, a audição de Durão Barroso e Paulo Portas poderá também contribuir "para evitar que este tipo de situações se repita no futuro".

O relatório Chilcot sobre o envolvimento do Reino Unido na Guerra do Iraque de 2003, publicado na quarta-feira, critica o então primeiro-ministro Tony Blair por implicar o país num conflito mal planeado, mal executado e legalmente questionável.

“O relatório devia pôr termo às alegações de má-fé, mentiras ou enganos. Quer se concorde ou discorde da minha decisão de uma ação militar contra Saddam Hussein, tomei-a de boa-fé e no que acredito ser o melhor interesse do país”, afirmou então o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair num comunicado divulgado em resposta à apresentação do relatório Chilcot.