O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afirmou hoje não ter «qualquer espécie de planos de atividade política» num «futuro previsível», alegando motivos familiares e pessoais.

«Não tenho neste momento qualquer espécie de planos de atividade política. Até por razoes pessoais, familiares, não vou envolver-me em quaisquer atividades políticas num futuro previsível», afirmou Durão Barroso aos jornalistas.

O ainda presidente da Comissão Europeia, que será substituído por Jean-Claude Juncker, falava à saída da conferência «The Future of Europe is Science», («O Futuro da Europa é a Ciência») promovida pela Comissão Europeia, na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

A importância da inovação para o crescimento da Europa

Durão Barroso, defendeu hoje em Lisboa a importância da inovação para o crescimento da Europa e considerou essencial «aumentar a capacidade de investigação científica».

Na primeira mesa redonda do programa da conferência «O Futuro da Europa é a Ciência», Durão Barroso salientou que «a mais importante via para o crescimento é o acréscimo da investigação científica europeia».

«Não podemos perder a globalização e temos de ser competitivos. Ciência, inovação e educação são importantes fatores para o crescimento. Estamos a ficar velhos e resistentes às mudanças», referiu, reiterando que «é preciso mais inovação» na Europa.

Durão Barroso reforçou a importância do programa Horizonte 2020, que disponibiliza 80 mil milhões de euros, como tradução prática do compromisso da União Europeia para com a ciência e a inovação.

O presidente cessante da Comissão Europeia, cujo mandato termina no final deste mês, defendeu ainda a importância de uma política integrada dos estados-membros da União Europeia para a ciência, assinalando que «esta é uma área em que todos os governos concordam».

Barroso referiu que é preciso «congregar todos os governos» e afirmou que deve «haver equilíbrio, com uma política de fundos correta».

«Os fundos europeus podem financiar os governos diretamente em áreas de desenvolvimento na tecnologia, como na criação de hardware e software», disse, assumindo a «paixão pela ciência».

«Há várias razões, pessoais e políticas. No primeiro caso, a minha mãe estava ligada à Física», justificou.

O presidente da Comissão Europeia também defendeu que a crise económica e financeira foi o maior «teste de stress» às instituições europeias e sublinhou que é preciso atacar as questões do emprego para voltar a ganhar a confiança dos cidadãos.

«Passámos pela maior crise financeira, económica e social desde o início da integração europeia. Este foi maior teste de stress de sempre em termos de integração europeia», afirmou.

Dirigindo-se aos participantes na conferência, Barroso afirmou que terão oportunidade de se debruçarem nas formas que a ciência e a inovação têm para afetar as matérias que dizem mais respeito aos cidadãos europeus: «saúde, emprego e, dessa forma, a sociedade e a economia na qual eles vivem».

«E não há alternativa: temos de atacar estas matérias, crucialmente o emprego, para voltar a ganhar a confiança dos nossos cidadãos», declarou.