O antigo primeiro-ministro português e ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso considerou esta segunda-feira que uma saída da Grécia do euro seria negativa, mas gerível, e admitiu que pode decidir-se nos próximos dias.

Durante uma conferência promovida pela associação cívica Plataforma para o Crescimento Sustentável, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa, Durão Barroso voltou a apontar uma saída da Grécia do euro como mais provável hoje do que há dois ou três anos.

"É gerível uma saída da Grécia do euro, mas é negativa do ponto de vista do precedente que abre. Portanto, se a Grécia sair do euro, não vai haver, penso, imediatamente uma turbulência dos mercados, como teria havido alguns anos atrás, com efeitos terríveis de contaminação e de contágio", afirmou.


Durão Barroso, que abordou este tema em resposta a uma questão da assistência, acrescentou: "Mas é um precedente mau, é um precedente negativo que se abre, razão pela qual deveríamos fazer tudo para evitar que tal aconteça. Haverá sabedoria do lado grego e do lado dos parceiros do euro que evite isso? Não sei".
 

Saída do Reino Unido da UE "seria uma derrota"


Por outro lado, Durão Barroso considerou que se o Reino Unido saísse da União Europeia, em consequência de um referendo interno, seria uma derrota para todos.

"Seria uma derrota para nós todos. Eu penso que também seria para o Reino Unido", declarou Durão Barroso.


Durão Barroso argumentou que "se um país como o Reino Unido sai da União Europeia tem muito menos influência na União Europeia", e apontou, a este propósito, "a posição predominante na Europa" da Alemanha, que defendeu ser "uma evolução recente" e "mais por falta dos outros do que por próprio esforço".