Num carta que irá enviar ao chefe do executivo grego, e à qual a agência Lusa teve acesso, Duarte Marques considera que tais declarações «podem colocar em causa a recuperação de Portugal, pois aludem, com total leviandade, à consequência que a sua estratégia pode causar aos juros da dívida portuguesa e intenção moral que revela».

«A confirmarem-se estas intenções e estas consequências, isto é muito grave. Desejo firmemente que os cidadãos gregos se livrem da troika, que cumpram o seu memorando e que possam conhecer, tal como Portugal e a Irlanda, uma saída rápida de uma situação de grave dificuldade, mas não à custa do dano que causa a outros»

«Se isso significar, durante as nossas negociações, que as yields da dívida de Portugal, Espanha e Itália sobem, tanto melhor. Porque Lisboa, Madrid e Roma serão forçadas a participar criativamente nessas negociações, formando uma frente dos periféricos, de modo a criar uma nova arquitetura da zona euro, que acabe com a asfixia de nações com orgulho em nome de regras fúteis, inexequíveis e misantrópicas», explicou na altura o agora ministro das Finanças grego.

Recordando que «a solidariedade europeia é uma via com dois sentidos e a responsabilidade é um valor tão relevante como os restantes», Duarte Marques classifica mesmo como «perigoso» que, como ministro das Finanças, Yanis Varoufakis mantenha a opinião manifestada um mês antes do Syriza ter vencido as eleições gregas.

«Tal é uma irresponsabilidade, uma chantagem, e não será à custa dos juros da dívida pagos por Portugal que a Grécia conseguirá o apoio dos restantes países»

Solicitando esclarecimentos por parte de Alexis Tsipras, Duarte Marques faz ainda votos para que a tese defendida pelo ministro das Finanças grego «não passe de mais um bluff da estratégia de campanha do Syriza».