Arrancou esta quinta-feira o primeiro de quatro dias de debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2015 e a maioria parlamentar PSD/CDS-PP, a primeira a intervir, não foi meiga nas críticas à oposição: acusou-a, entre outras coisas, de apresentar propostas que «cheiram a bafio». Os partidos da oposição, por sua vez, argumentam que este OE2015 «empobrece» os portugueses.

O deputado Duarte Pacheco, do PSD, centrou o seu discurso precisamente na «irresponsabilidade» da oposição que «promete tudo a todos», repetindo ano após ano propostas que «cheiram a bafio» e com um forte cariz ideológico.

O PS mereceu uma notaa especial na intervenção do deputado social-democrata, que acusou os socialistas de incoerência ao apresentarem propostas de alteração que «aumentam a despesa em centenas de milhões de euros», não tendo em conta os compromissos internacionais de Portugal: «É uma irresponsabilidade que já conhecíamos do Governo Sócrates e que agora renasce em vésperas de eleições».

A deputada do CDS-PP Cecília Meireles corroborou o discurso da bancada social-democrata, sublinhando que o OE para 2015 é um documento que «marca a diferença e a passagem a um novo ciclo de retoma».

Na resposta às críticas da maioria, o deputado do PS João Galamba reiterou a decisão dos socialistas de votarem contra o OE para 2015. E referiu que as propostas de alteração apresentadas pela sua bancada não pretendem ser um novo Orçamento. «Para haver um novo Orçamento precisamos de eleições», disse, rejeitando as contas feitas pela maioria às propostas dos socialistas.

Paulo Sá, do PCP, falou das propostas de alteração apresentadas pela bancada comunista, sublinhando que «não são remendos a um Orçamento que não tem remendo». «Este é um Orçamento de continuação da política dos PEC's e da troika», acusou. E deixou a promessa de que o PCP «combaterá todas as propostas do Governo e da maioria PSD/CDS-PP que afundam o país e empobrecem os portugueses» e mostrará que é possível uma política alternativa.

Da parte do BE, a deputada Mariana Mortágua deixou igualmente críticas ao «falhanço» da política fiscal e governativa e concluiu que a proposta de OE para 2015 «contribui para o aumento dos milionários e o aumento da pobreza». «Nenhum partido apresentou tantas propostas como o BE, todas com o mesmo objetivo: mais justiça», frisou.

Heloísa Apolónia, do partido ecologista Os Verdes, repetiu as críticas «à opção claríssima da maioria de manter uma brutal austeridade no OE» e à «componente ideológica» de esvaziar as funções do Estado.