O CDS-PP pediu "transparência" e esclarecimentos sobre a intervenção de Diogo Lacerda Machado em negócios que envolvem o Estado português, sublinhando que para atuar em nome do Governo têm de existir regras e requisitos.

Aquilo que está em causa é perceber como é que atua o Estado português - se há alguém que atua em nome do Estado português, em nome do Governo de Portugal e do primeiro-ministro de Portugal", afirmou a vice-presidente do CDS-PP Cecília Meireles, em declarações aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa esta terça-feira.

Sublinhando que "conhecer o contrato será muito importante", porque é preciso perceber a que título é que Diogo Lacerda atuou, a vice-presidente democrata-cristã questionou também os custos e encargos que isso traz para Portugal e para o erário público.

Por outro lado, acrescentou, também é preciso ver as regras de incompatibilidades e de declarações de interesses que "são básicas para quaisquer titulares de cargos políticos ou alguém que atua em nome do Estado português".

Está em causa perceber e perceber muito bem, de forma muito clarinha e transparente estes três fatores para perceber quem atua em nome do Estado português", salientou Cecília Meireles, insistindo que "a coisa mais importante é a transparência" e que "há muitos pontos que não estão esclarecidos".

O primeiro-ministro socialista, António Costa, assumiu que Diogo Lacerda Machado o representou informalmente em várias negociações sensíveis que estão em curso, como na TAP, no caso dos lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo e também no BPI, nas reuniões entre Isabel dos Santos e o banco catalão Caixabank.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, afirmou que Diogo Lacerda Machado deu um contributo importante nas negociações para devolver ao Estado 50% da TAP, considerando 'fait-divers' [facto sem relevância] a polémica sobre o papel do antigo governante nas negociações.

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, afirmou que o seu partido entende que "o Governo deve dar todos os esclarecimentos" sobre a intervenção de Diogo Lacerda Machado em negócios que envolvem o Estado português.