O PCP criticou esta quinta-feira o “processo golpista no Brasil”, condenando as tentativas de “setores reacionários” de se vingarem pela derrota nas eleições de 2014 ao derrubar a legítima presidente brasileira e reverter uma situação favorável aos trabalhadores.

Num comunicado intitulado o “PCP e o processo golpista no Brasil”, os comunistas referem-se à aprovação da instauração do processo de 'impeachment' (destituição) da Presidente brasileira Dilma Rousseff como “um novo e perigoso desenvolvimento na sequência da degradante sessão da Câmara de Deputados de 17 de Abril”.

“O PCP reitera a sua firme condenação das tentativas de setores reacionários e do imperialismo para, em ‘revanche’ [vingança] pela sua derrota nas eleições de 2014, derrubar a legítima Presidente do Brasil e reverter a evolução num sentido favorável aos trabalhadores e às camadas mais frágeis da sociedade brasileira verificada nos últimos anos, com um processo de desestabilização e golpista, inseparável de projetos ditatoriais”, condenam.

O partido liderado por Jerónimo de Sousa reitera “a solidariedade aos trabalhadores, ao povo e às forças democráticas e progressistas brasileiras que, numa situação particularmente difícil”, lutam “corajosamente em defesa da democracia e por políticas de progresso social e soberania”.

A derrota dos objetivos “dos setores reacionários e do imperialismo” é, na opinião do PCP, “do interesse de todos os povos, e em especial dos povos da América Latina e Caraíbas que se encontram confrontados com uma generalizada contraofensiva do imperialismo norte-americano para reconquistar as posições perdidas e tentar restaurar aquilo que insultuosamente chegou a designar por ‘pátio das traseiras dos EUA’”.

Os comunistas exprimem confiança de que o povo brasileiro vencerá esta luta, se contar com a solidariedade internacional.

O Senado brasileiro aprovou hoje a instauração do processo de 'impeachment' (destituição) da Presidente Dilma Rousseff, com 55 votos a favor e 22 contra, o que a afasta automaticamente do cargo durante 180 dias, para ser julgada.

Já depois de conhecida a decisão, Dilma pediu ao povo para se manter mobilizado em defesa da democracia.