O porta-voz nacional do PSD considerou na segunda-feira, em Ovar, que a indisponibilidade demonstrada pelo PS para o diálogo com o Governo não se verificava em Portugal desde o 25 de Abril e que «é caso único» na Europa.

À margem de uma sessão de esclarecimento sobre o Orçamento do Estado para 2014, Marco António Costa afirmou que «o PS fechou-se dentro de um casulo em que recusa permanentemente o diálogo» e que, «sempre que lhe é colocada um oportunidade para isso, foge».

Referindo que «desde o 25 de Abril [de 1974], quando se instituiu a democracia parlamentar em Portugal, que não se assistia a esta postura [por parte do principal partido da oposição]», o ex-secretário de Estado realçou a «gravidade» da atitude socialista, que definiu como «única no plano político europeu».

«Este corte nas linhas de comunicação não é normal numa democracia madura como a nossa», defendeu Marco António Costa, salientando que, em todos os países da Europa esse diálogo interpartidário existe e que «só em Portugal é que deixou de existir, e ninguém percebe porquê».

O porta-voz dos sociais-democratas garantiu, contudo, que a sua posição é isenta de «qualquer acrimónia» e antes reflete «o pedido ao PS para que mude de posição e tenha a humildade de dialogar com o PSD».

«O país precisa de uma atitude diferente. O diálogo institucional existe em todos os países da Europa e aqui também tem que existir», declarou.

A premência desse diálogo prende-se com o que Marco António Costa considerou como «questões vitais para o país», na medida em que a atual discussão sobre a reforma do Estado «é um tema fundamental para os portugueses e toca assuntos da máxima importância estrutural para o futuro do país», cita a Lusa.

Segundo Marco António Costa, a indisponibilidade dos socialistas para uma reflexão conjunta, contrasta com a abertura que reconhece à Confederação da Indústria Portuguesa, à Confederação Nacional das IPSS e à União das Misericórdias Portuguesas, entre representantes de outros setores da sociedade.