O Governo não recebeu qualquer proposta ou pedido de reestruturação por parte dos CTT. Quem o disse foi o primeiro-ministro, António Costa, esta quarta-feira, no debate quinzenal, no Parlamento. Costa disse que "não é intenção do Governo nacionalizar os CTT" e que quanto a um eventual "resgate" este "pôr-se-á ou não nos termos do contrato e nos termos da avaliação que cabem à ANACOM".

Não recebemos qualquer proposta ou pedido de reestruturação, tenho visto as notícias nos jornais. (…) Há duas formas para haver redução de pessoal, uma não tem qualquer intervenção do Governo, que é a figura do despedimento coletivo, outra no quadro de reestruturação o aumento da quota de rescisões por mútuo acordo. Não nos chegou nenhum pedido para qualquer rescisão. Por isso a questão não se coloca para o Governo.”  

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, foi quem abriu o debate quinzenal com o primeiro-ministro, levando ao hemiciclo a questão da reestruturação dos CTT, que prevê o despedimento de 800 trabalhadores.

Soubemos ontem que os CTT preparam uma reestruturação e despedimentos. Portugal não pode impedir esta pilhagem e destruição dos CTT. (…) Irá o Governo travar o processo de reestruturação? Ira o Governo recuperar para a esfera publica os CTT, protegendo os correios e as populações?”, questionou a líder bloquista.

A dirigente do BE lembrou que foi o Governo PSD/CDS que privatizou os CTT, aproveitando a intervenção para lançar ataques à direita, considerando que PSD e CDS fez um "assalto ao país" ao retirar-lhe "um valioso ativo".

O que a direita fez com o negócio danoso da privatização foi um assalto ao país, que perdeu um valioso ativo, mas mais do que isso, abriu as portas para um assalto aos CTT feito pelos seus acionistas privados.”

Depois foi o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, a falar sobre o assunto, perguntando ao primeiro-ministro se havia uma intenção do Governo em nacionalizar os CTT.

"Não é intenção do Governo nacionalizar os CTT até porque sendo uma entidade pública que esta sobre concessão não havia lugar a nacionalização, haveria quanto muito lugar a resgate da concessão. A questão do resgate pôr-se-á ou não nos termos do contrato e nos termos da avaliação que cabe à ANACOM", respondeu António Costa.

O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, disse que "já em 2016" o PCP tinha apresentado preocupações sobre a situação dos CTT, mas que os alertas do partido não tiveram atenção mediática. “Hoje não estamos sozinhos e ainda bem”, acrescentou.

Urge travar a destruição dos CTT. (...) O Governo tem de intervir para travar o processo que está em curso."