O deputado do CDS-PP José Ribeiro e Castro, fez esta sexta-feira o seu discurso de despedida do Parlamento, que vai abandonar no final desta legislatura. Dedicou-o a Olivença e às suas pessoas. Não tocou, hoje, na ferida: o estado do sistema partidário que há cerca de uma semana considerou "profundamente doente", mostrando-se desiludido também com o seu partido.

Neste discurso de despedia, em cerca de dez minutos, ao abrigo de um artigo do regimento que permite que individualmente os parlamentares falem no plenário, Ribeiro e Castro começou por declarar que falava "em nome dos portugueses de Olivença", e cumprimentou o recém-eleito Alcaide, Manuel González Andrade, presente nas galerias do parlamento.

Olivença, onde o centrista tem ido "dezenas de vezes" e terra pela qual se diz ter apaixonado, é "uma terra única, absolutamente singular".

"Não é de estranhar que, olhando toda a História peninsular, pudesse haver, quanto a Portugal e Espanha, um lugar em que a fronteira não é fronteira, em que a fronteira não é uma linha tangente, mas linhas secantes dos dois, uma fronteira que, em vez de separar, abraça e reúne", vincou o parlamentar, segundo a Lusa.

Questões diplomáticas, políticas e culturais foram também referidas. "Nenhuma linha nos divide, todos os laços nos reúnem", disse o deputado no final do seu discurso.

Recentemente, em declarações à Lusa, Ribeiro e Castro lamentou que o sistema partidário esteja, palavras suas, "profundamente doente". Não vai recandidatar-se ao lugar de deputado, ficando "livre como um passarinho". 

"Vou, naturalmente, interromper a minha atividade política e continuarei a ação cívica, a minha atividade profissional. Também se cumpre esta semana aquela que era a minha última obrigação moral nesta legislatura - com o encerramento dos trabalhos da comissão de inquérito sobre a tragédia de Camarate -, uma missão para com o partido e a memória de Amaro da Costa. Concluído isto, sinto-me livre como um passarinho para procurar outros caminhos na minha vida", disse.

O deputado em São Bento nas I, II, VIII, XI e, agora, XII legislaturas, também secretário de Estado e adjunto de ministros dos governos da Aliança Democrática e de Cavaco Silva, sublinhou as divergências para com a liderança dos centristas.

"Creio que o sistema partidário está profundamente doente. Acho que o CDS devia ser um sinal de diferença para melhor. Infelizmente, é para pior. Tem um fraquíssimo funcionamento interno, não há participação, vivemos em plena ‘consumadócracia'. Quem andou em campanhas, ouviu várias vezes ‘vai trabalhar, palhaço!'. Eu ouvi. Não é coisa que me incomode. Mas já me incomoda sentir que sou um palhaço, isso já me incomoda"