O ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, defendeu esta sexta-feira o conceito de «competitividade inteligente» para desenvolver os territórios de baixa densidade populacional, a partir dos recursos locais.

«Nós temos de ter novas soluções para uma realidade diferente, soluções que não aprofundem as assimetrias sociais e territoriais destas populações», disse Poiares Maduro em Mação, após uma visita a várias localidades do distrito de Santarém, no âmbito dos Roteiros pelos Territórios de Baixa Densidade.

O périplo incluiu passagens por Alpiarça, Chamusca, Golegã, Constância, Abrantes e Mação, onde o governante quis «conhecer pessoalmente as realidades locais para uma melhor tomada de decisão de política pública».

O responsável visitou, entre outros, o Ecoparque do Relvão, na Chamusca, o Centro de Alto Rendimento de Desportos Equestres, na Golegã, e o Parque de Astronomia, em Constância.

«Para podermos decidir o que se vai passar em termos de decisão de políticas públicas, é importante conhecer mais de perto as realidades territoriais, os seus êxitos, os seus problemas e as suas expectativas, de modo a podermos corrigir as assimetrias regionais, em termos de qualidade de vida, emprego e perspetivas de um futuro melhor», defendeu.

Em Mação, concelho com 7.200 habitantes dispersos por mais de uma centena de aldeias e lugares com menos de 500 habitantes e onde Poiares Maduro conheceu o projeto «Transporte a Pedido» que ali foi implementado, o presidente da câmara, Vasco Estrela (PSD), disse ao governante que os territórios de baixa densidade «querem ser tratados com justiça», no âmbito da anunciada reforma do Estado.

O autarca afirmou «não haver maior injustiça do que tratar por igual aquilo que é diferente».

O ministro defendeu, por isso, uma «competitividade inteligente» a partir dos recursos existentes em cada território - «produtos tradicionais, potencial humano, inovação e dinamismo» ¿ e afirmou a necessidade de «pensar os problemas de forma inovadora, assegurando ao mesmo tempo serviços de proximidade e qualidade» aos cidadãos.

«O 'Transporte a Pedido' é emblemático nesse sentido», vincou, notando que o serviço «é uma forma diferente de transporte público mas que garante maior proximidade, maior comodidade, melhores horários e melhor serviço para as populações».

O serviço, que funciona em Mação e vai ser replicado este mês em Sardoal e Abrantes, à semelhança do transporte coletivo regular, tem circuitos, paragens e horários definidos. No entanto, distingue-se por pressupor que o cliente desencadeie a viagem, contactando previamente uma central de reservas.

Deste modo, as viaturas só efetuam os percursos se, antecipadamente, o serviço tiver sido solicitado e só vão às paragens que tiverem reservas.

«É este tipo de respostas diferentes que nós temos de generalizar nos diferentes tipos de serviços na administração pública», enfatizou o ministro, que anunciou «para breve» a apresentação de um novo modelo global de atendimento na administração pública.

Questionado sobre a promulgação pelo Presidente da República do aumento, de 2,5% para 3,5%, dos descontos para o subsistema de saúde dos funcionários públicos, a ADSE, e para os subsistemas dos polícias e militares, o ministro considerou a situação «normal», referindo que os pedidos de fiscalização constitucional «são um direito constitucional».