O Bloco de Esquerda (BE) defendeu esta terça-feira a revisão da legislação laboral para criar “empregos e empregos com direitos”, a propósito da notícia da taxa de desemprego ter atingido o valor mais baixo desde 2004.

Este é o momento para uma alteração à legislação laboral, para criar emprego e emprego com direitos”, afirmou aos jornalistas a coordenadora do BE, Catarina Martins, à margem de uma visita à Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Amadora (CERCIAma), na cidade da Amadora.

Catarina Martins afirmou que os bloquistas preferem falar “mais do emprego criado do que em taxas de desemprego”, dado que “a emigração, os inativos, a formação [profissional] podem fazer variações” o valor desta taxa.

Para nós, o que interessa é o emprego”, disse ainda.

A coordenadora e deputada bloquista lembrou que “desde o início da legislatura [em 2015], foram criados 300 mil postos de trabalho, o que é um número bom”, mas o problema “é a qualidade desse emprego”.

O país, afirmou, “começa a resolver o problema do desemprego”, mas a qualidade de emprego “deixa muito a desejar”.

Daí justificar-se, segundo afirmou, a proposta do Bloco para uma revisão da lei laboral, de forma a criar “emprego com mais direitos”.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou hoje que a taxa de desemprego de janeiro se fixou nos 7,9%, valor mínimo desde julho de 2004, estimando para fevereiro uma nova descida para os 7,8%.

Um ano antes, em janeiro de 2017, a taxa de desemprego era de 10,1%, segundo o INE.

O valor definitivo apurado para janeiro representa uma descida de 0,1 pontos percentuais face ao mês anterior, menos 0,5 pontos percentuais em relação a três meses antes e menos 2,2 pontos percentuais face ao mesmo mês de 2017.

Num comentário à notícia do Público, de que só um terço dos precários do ensino superior e da ciência tem lugar garantido na função pública, Catarina Martins declarou encarar este tema "com enorme preocupação"

Apesar de existir uma "tradição de exploração de trabalho precário", defendeu que é preciso "quebrar com esse ciclo" e que "deveriam ser os reitores a exigir condições de trabalho para os seus investigadores e docentes".