A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins afirmou hoje que as eleições «são sempre a forma de sair das crises», considerando que esta é a única solução de estabilidade para o país.

«Há quem tenha afirmado argumentos de estabilidade para não haver eleições. Isso, por um lado, é um ataque à democracia, porque as eleições são sempre a forma de sair das crises e é forma de o povo escolher como quer que seja o seu percurso», disse Catarina Martins, no Funchal, no encerramento do encontro autárquico.

Para a dirigente bloquista, manter um Governo que «não tem credibilidade, em que os protagonistas não confiam uns nos outros» é «estar a condenar o país a ter, regularmente, mais semanas destas desastrosas, degradantes, de profunda instabilidade».

A este propósito, lembrou que o líder do CDS-PP, Paulo Portas, se demitiu «dizendo que não confiava no primeiro-ministro».

«A única solução de estabilidade é aquela que faça com que haja eleições de um novo governo, com uma nova legitimidade, com uma nova força e um governo que, com essa legitimidade sufragada pelo povo nas urnas, possa ter a força para fazer o que é essencial, que é renegociar a dívida junto das instituições internacionais», continuou Catarina Martins.

Questionada se é esta a decisão que espera do chefe de Estado, na declaração que hoje, pelas 20:30, fará ao país, a coordenadora do Bloco respondeu: «O Presidente da República disse, quando a crise estourou, que não aceitou a solução que o primeiro-ministro lhe apresentou, não aceitou a solução de continuar um Governo PSD/CDS renovado, considerou que essa solução seria frágil, porque não a aceitou, presume-se, e tentou uma outra solução que não aconteceu».

Nesse sentido, «face à solução inicial ser má, como o próprio Presidente da República reconheceu» e ao «falhanço completo da ideia» do chefe de Estado de que «era possível salvar um Governo que já estava morto e de um programa político de destruição do país», Catarina Martins considera que o que seria «coerente» era a marcação de eleições.

A responsável acrescentou que o país está «há 21 dias sem governo».

«Vinte e um dias passados e passada mais de uma semana num processo um pouco caricato daquilo a que se chamou negociações para a salvação nacional, e mais não foi que uma tentativa de ressuscitar um moribundo, que é o Governo de coligação PSD/CDS-PP, perdemos tempo precioso, e o que é preciso é que haja em Portugal capacidade para mudar e essa mudança terá de vir por eleições», insistiu.

O Presidente da República, Cavaco Silva, faz hoje uma comunicação ao país, pelas 20:30. A declaração do chefe de Estado segue-se ao anúncio, na sexta-feira à noite, do secretário-geral do PS, António José Seguro, que deu conta do fim das negociações, sem acordo, entre os três partidos, para um «compromisso de salvação nacional».

A crise política arrasta-se há três semanas, depois dos pedidos de demissão do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a 01 de julho, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no dia seguinte.