O vice-presidente do PSD José Matos Correia diz que os presidentes de Câmara e nomeados para altos cargos públicos deverão ficar fora das listas, apesar de a regra não constar dos critérios escritos para a escolha dos deputados.

Em conferência de imprensa, a meio da reunião do Conselho Nacional do PSD, que decorre num hotel de Lisboa, questionado se foi decidido que autarcas e nomeados para cargos públicos não farão parte das listas, Matos Correia respondeu que "a regra geral é, em princípio, essa".

"A regra geral é que presidentes de câmara não devem constar das listas, bem como pessoas que tenham sido recentemente nomeadas para altos cargos da Administração Pública."


Questionado sobre por que motivo essa regra não foi inscrita no documento com os critérios para a escolha dos deputados hoje aprovado pela Comissão Política Nacional do PSD, Matos Correia disse que "as orientações que são estabelecidas podem constar do documento, ou podem constar depois daquilo que é decidido nos órgãos nacionais".

A Comissão Política Nacional do PSD aprovou uma lista de critérios para a escolha dos candidatos a deputados, que levou ,esta sexta-feira, à reunião do Conselho Nacional. As listas de candidatos a deputados vão ser aprovadas numa nova reunião, agendada para o dia 30.

No dia 30, os conselheiros nacionais sociais-democratas irão votar as listas da coligação PSD/CDS-PP "Portugal à Frente", já com a ordenação de lugares acertada entre os dois partidos.

A comissão que a direção nacional do PSD constituiu para a elaboração dessas listas, presidida pelo vice-presidente e porta-voz do partido Marco António Costa, inclui também o secretário-geral, José Matos Rosa, e o líder parlamentar, Luís Montenegro.


Deputados em divergência devem renunciar, mas voluntariamente



Matos Correia defendeu ainda o princípio aprovado pela direção social-democrata de que os deputados em divergência com as orientações do partido devem renunciar ao mandato, mas frisou que a decisão é voluntária.

"Julgo que, numa lógica de compromisso de honra, quem está numa instituição, está de acordo com aquilo que são as orientações dessa instituição. Se discorda, é uma questão de honra abandonar as listas. Mas isso é sempre uma decisão voluntária de cada um."


Em causa está o seguinte princípio hoje aprovado: "Os candidatos a deputados deverão também comprometer-se a renunciar ao mandato no caso de existir uma persistente divergência entre as orientações gerais do grupo parlamentar, e a sua posição individual, em ordem a salvaguardar o pleno cumprimento das opções programáticas com que o partido se apresenta aos portugueses e que esteve na base da sua própria eleição".

Questionado sobre este princípio da renúncia em caso de divergências, José Matos Correia respondeu: "Julgo que faz parte de um compromisso de honra que qualquer deputado deve assumir".

"Os deputados, quando se candidatam, candidatam-se com um determinado programa e com um determinado tipo de compromissos. Se, porventura, alguém que vier a ser eleito se afastar daquilo que é a orientação estabelecida pelos órgãos do partido, e eventualmente pelo Governo, se como espero, for essa a circunstância, é natural que as pessoas possam abandonar o seu lugar."


O vice-presidente do PSD ressalvou, contudo, que esta "não é uma imposição", porque "o mandato em Portugal é pessoal e, portanto, só cada deputado é que pode renunciar a ele".

O documento hoje aprovado, com os critérios do PSD para a escolha dos candidatos a deputados, estabelece que, "sem prejuízo do direito de divergência em questões de consciência", estes "deverão igualmente assumir o compromisso de, sempre que estejam em causa questões consideradas relevantes para a política nacional, se fazer substituir, nos termos regimentais, por forma a assegurar a posição do Partido no momento das votações".

Segundo o mesmo documento, os candidatos a deputados "deverão assumir o compromisso de honra de cumprir integralmente o regulamento do grupo parlamentar e, em particular, de respeitar sem exceções a disciplina de voto nas seguintes matérias: a) Programa do Governo, no caso de ser sujeito a votação; b) Orçamento do Estado; c) Leis de valor reforçado; d) Moções de censura e de confiança; e) Quaisquer outras a definir em reunião plenária do grupo parlamentar".