A nova deputada do PS Susana Amador, empossada na passada sexta-feira, antecipa que vai ter um mandato “intenso” na Assembleia da República, numa altura em que o Parlamento está em polvorosa e “fraturado” na sequência do resultado das eleições legislativas de 4 de outubro.

Em debate no programa “Política Mesmo” da TVI24, com a homóloga do CDS-PP Ana Rita Bessa, também ela uma estreante no Parlamento, Susana Amador disse que o momento não deixa de ser histórico com um acordo à esquerda no horizonte.
 
“Para mim, assumir funções numa altura desta natureza, onde estamos a viver um momento de certa maneira diferente porque o quadro parlamentar é diferente, de um ponto de vista constitucional desenham-se outras fórmulas de governação, será seguramente algo para reter na memória e será histórico e é bom fazer parte da história constitucional e da história deste Parlamento”, afirmou.
 
Questionada sobre a possibilidade de vir a exercer um mandato “curto”, tendo em conta a instabilidade que se antecipa para os próximos tempos, Ana Rita Bessa, do CDS-PP, não deu esse cenário como garantido e disse que será o que for preciso.
 
“Sim, pode ser curto e pode ser longo. Acho que se aplica completamente a máxima: ‘a cada dia o seu trabalho’. Se há uma lição que eu já aprendi como nova deputada é sobre a imprevisibilidade da política, os cenários mudam a um ritmo muito rápido”, adiantou.
 
Sobre o cenário de que quem ganhou as eleições a 4 de outubro não conseguiu formar maioria e as três moções de rejeição ao Governo anunciadas na Assembleia da República, a deputada centrista não considerou fidedigna a expressão de que está em curso um “golpe de Estado”, mas disse ser real que há um potencial problema de legitimidade democrática.
 
“Nenhum Governo minoritário é uma anormalidade, tanto este que ganhou as eleições como eventualmente um Governo PS, a questão é precisamente esta: é que este ganhou as eleições e qualquer outro que venha a ser nomeado não o fez. E isso não é uma subtileza, não é uma questão menor, é uma pedra de toque do nosso sistema e questioná-la tem perigos generalizados para todos”, defendeu.