A «iminente rutura nos serviços» do IPO do Porto devido à falta de recursos humanos foi denunciada esta segunda-feira por deputados do PS eleitos pelo distrito, garantindo tomar «todas as medidas para pressionar o Governo para resolver esta situação».

«O que nos preocupa mais na situação do IPO [Instituto Português de Oncologia] do Porto é a parte dos recursos humanos uma vez que nos últimos três anos perdeu 200 profissionais, desde técnicos de radioterapia a assistentes operacionais e enfermeiros. Não é tanto ao nível dos médicos que se coloca o problema», disse a deputada Luísa Salgueiro à agência Lusa.

De acordo com a socialista, «apesar do esforço da administração e dos profissionais que estão ao serviço, a situação é de uma iminente rutura nos serviços», realçando que se trata de doentes oncológicos.

No âmbito de uma jornada nacional dedicada à saúde promovida pelo PS, os deputados Luísa Salgueiro, Francisco Assis, Fernando Jesus, Isabel Oneto e Isabel Santos, eleitos pelo Porto, acompanhados pelo presidente da Federação Distrital, José Luís Carneiro, reuniram esta segunda-feira com a administração do IPO PORTO.

De acordo com a deputada do PS, «apesar de tudo ainda não tem havido uma derrapagem significativa dos tempos de espera porque os profissionais e a própria administração têm feito uma gestão para evitar que isso aconteça».

«Eles estão há dois anos à espera. O ministro da Saúde diz que está a tratar, que só está a aguardar despacho do Governo. Nós não podemos dizer aos doentes oncológicos que aguardem que estamos a tratar», condenou.

De acordo com Luísa Salgueiro, «neste momento estão pendentes 74 pedidos a aguardar despacho do ministro para substituir os profissionais que estão em falta», garantindo que a bancada do PS vai «tomar todas as medidas necessárias para pressionar o Governo para resolver esta situação».

A deputada do PS alertou ainda para outro problema com o qual o IPO do Porto está deparado, estando «pendente a questão que o Tribunal de Contas que exige a devolução de 56 milhões de euros porque considera que a quimioterapia oral não deve ser ministrada».

«O Tribunal de Contas responsabiliza a administração, exigindo a devolução do dinheiro e que eles sejam responsabilizados pessoalmente por aquelas verbas porque não valida essa despesa», explicou, condenando a «falta de sensibilidade absoluta».

Luísa Salgueiro adiantou que o PS vai «tomar uma medida legislativa no sentido de criar a codificação na Administração Central do Sistema de Saúde que permita esse tipo de medicamentos».