No final desta legislatura, serão vários os deputados a abandonar a Assembleia da República, alguns dos quais figuras com presença política há décadas e que definem o seu período no parlamento como de defesa do interesse nacional.

Entre os deputados mais emblemáticos que já se sabe que não regressarão ao parlamento após as legislativas deste ano encontram-se, por exemplo, o antigo Presidente da Assembleia da República Mota Amaral (PSD), o ainda vice-presidente do parlamento Guilherme Silva (PSD), a ex-presidente do PS, Maria de Belém, o antigo líder do CDS-PP Ribeiro e Castro e o fundador do Bloco de Esquerda (BE) Luís Fazenda.

O madeirense Guilherme Silva começa por revelar à agência Lusa que o "exercício mais difícil" que um deputado tem na Assembleia da República é a "conciliação" entre o ser eleito por um círculo regional, e ter de estar atento e cuidar dos interesses da região, e o interesse nacional e partidário da força política que o sustenta.

"No caso dos deputados das regiões autónomas é óbvio que essa situação ganha uma acentuação diferente", prosseguiu, dizendo que o conforta a "consciência e convicção" de que "em nenhuma ocasião" assumiu a defesa da região autónoma da Madeira "em termos de não conciliação com o interesse nacional".

Dos novos parlamentares que cheguem em breve à Assembleia da República, Guilherme Silva - deputado desde finais da década de 1980 - reclama um entendimento de que "há realmente uma disciplina partidária" mas que "um espaço próprio que a Constituição reserva à livre decisão dos deputados" não pode ser ignorado.

Ainda à direita, o antigo líder do CDS-PP José Ribeiro e Castro recorda a sua votação - já na atual legislatura - contra a eliminação dos feriados, em concreto o do 1.º de Dezembro.

"É uma luta que continuo no plano cívico", vincou, defendendo o "feriado dos feriados, que assinala o valor fundamental da nossa existência como país, o da independência nacional".

Para o futuro, é importante que novos parlamentares mantenham a sua "personalidade" e "contributo para a formação da vontade coletiva", enfrentando a "claustrofobia democrática" que possa advir de orientações de voto das bancadas, por exemplo.

"Um grupo [parlamentar] não é uma carneirada", advogou o centrista, que teve vários períodos na Assembleia da República, o último dos quais iniciado em 2009 e que finda com a atual legislatura.

A socialista Maria de Belém, por seu turno, será a primeira suplente da lista de candidatos a deputados pelo círculo eleitoral de Lisboa nas próximas legislativas, revelou já o secretário-geral do PS, um lugar sobretudo simbólico.

A antiga ministra da Saúde diz à Lusa que sai do parlamento depois de cumprir as suas funções "com grande dedicação", algo "reconhecido por muita gente".

Maria de Belém lembra que "logo" que chegou ao parlamento ficou com a pasta da Convenção de Oviedo sobre Direitos Humanos e Biomedicina, marco "muito importante" no seu trajeto parlamentar.

A lei da liberdade religiosa, legislação em torno da paridade e a procriação medicamente assistida foram outras matérias que estiveram sob a sua alçada.

No PCP, que concorre às legislativas coligado com o partido ecologista "Os Verdes", já se sabe que os seus deputados mais emblemáticos e veteranos, casos de Jerónimo de Sousa e António Filipe, concorrem às legislativas em lugares elegíveis, pelo que deverão renovar presença no parlamento na próxima leguslatura.

O BE, por seu turno, perderá o último dos seus fundadores ainda no parlamento, Luís Fazenda, e também Helena Pinto não se recandidatará.

O último plenário da atual legislatura decorre na quarta-feira, e as eleições legislativas vão realizar-se entre setembro e outubro.