O ex-líder do CDS-PP Ribeiro e Castro acusou hoje a direção do partido de ter ordenado um «silenciamento», «uma punição» na sua atividade de deputado, impedindo-o de intervir em plenário, razão pela qual abandonou a presidência da comissão de Educação.

«Tenho sido objeto de uma ordem de silenciamento, há uma ordem da direção do partido para que eu seja silenciado. Tem sido notado que eu não intervenho no plenário, isso representa a execução de uma punição administrativa aplicada pela direção do partido, certamente, e que se agravou na última sessão legislativa», disse à Lusa Ribeiro e Castro.

O deputado centrista avançava os motivos pelos quais se demitiu da presidência da comissão parlamentar de Educação, em que se incluem também «discordâncias quanto à forma de funcionar do grupo parlamentar».

«Não reunimos o suficiente, como é devido, útil e necessário. Várias vezes somos confrontados com matérias que temos que votar e que não foram devidamente avaliadas», afirmou, sustentando que os pedidos que fez para a realização de reuniões semanais «e com agenda aberta» foram sendo sucessivamente recusados.

Um dos exemplos de matérias relativamente às quais Ribeiro e Castro reclamava um debate mais aprofundado encontram-se as pensões.

«A reforma do sistema de reformas é uma coisa bastante complexa e está ainda por debater longamente. Não é que não se tenha de zelar pelo equilíbrio do sistema de pensões, com certeza que sim, mas isso tem que ser justificado, explicado e assegurado que é feito de uma forma equilibrada», defendeu.

Segundo Ribeiro e Castro, de uma forma geral, «a participação coletiva dos deputados nas decisões não é assegurada», uma «quebra de institucionalidade» que é um «problema mais vasto dentro do partido», cuja ausência de reunião dos órgãos o deputado assinala.