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Faz parte da geração «parva»?

Nova música dos Deolinda tornou-se um sucesso nas redes sociais. Também se identifica com a letra desta música? Conte-nos a sua história

Por: Redacção / SM  |  7- 2- 2011  17: 47

Deolinda no Coliseu do Porto (foto: Estela Silva/Lusa)

Em pouco mais de duas semanas, a música tornou-se um sucesso nas redes sociais e é já usada como forma retratar uma geração. «Parva que sou», do grupo português Deolinda, foi tocado pela primeira vez em público no concerto do Coliseu do Porto, no dia 22 de Janeiro, dia de reflexão para as eleições presidenciais. E pôs muita gente a reflectir.

A letra fala de uma geração que vive com a instabilidade laboral, que continua a viver em casa dos pais por falta de condições financeiras, e adia planos de casamento e filhos. E que apesar disso nada faz para alterar esta condição.

O vídeo, colocado por alguns dos espectadores no YouTube, foi partilhado vezes sem conta pelas redes sociais e não falta quem se identifique com esta realidade retratada. Também se identifica com a letra desta música? Conte-nos a sua história



Perante o sucesso, a banda emitiu uma nota a explicar que a música, apresentada nos quatro concertos realizados nos Coliseus de Lisboa e Porto faz parte de um conjunto de quatro novas canções. «Escolhemos «Parva que sou», porque era aquela que tinha o arranjo terminado e porque o tema que abordava nos pareceu actual», mas nunca imaginaram «a dimensão que a sua letra poderia tomar».

«Verso a verso, fomos sentindo o público a apropriar-se da canção e a tomá-la como sua. Foram quatro momentos especiais e porventura únicos de comunhão entre nós e o público».

Deolinda - Parva que sou
Música e letra: Pedro da Silva Martins

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração «casinha dos pais»,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração «vou queixar-me pra quê?»
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração «eu já não posso mais!»
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

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