Depois de uma demissão oficial e outra anunciada por parte de generais do Exército, o CDS-PP quer que o Presidente da República reponha a tranquilidade no ramo e Assunção Cristas volta a dizer que já é tempo de o primeiro-ministro "pôr ordem na casa", dar a cara e remodelar o Governo.

"Já se demitiram dois generais do Exército (...) e estas demissões sinalizam que tivemos razão quando ainda ontem [sexta-feira] o CDS pediu a demissão do chefe de Estado-Maior", fez notar, à margem da apresentação da recandidatura de José Pinheiro àquela que é uma das cinco câmaras municipais do país sob gestão popular. A líder do CDS-PP apela, por isso, a "que o primeiro-ministro apareça e dê a cara".

É urgente que fale e ponha ordem na sua casa - que, além do mais, é a casa de todos nós, porque estamos a falar do Estado"E é bom que se pronuncie rapidamente porque já está a demorar muito".

Para Assunção Cristas, António Costa deve fazer uma "remodelação no Governo" - nas pastas da Defesa e também da Administração Interna, devido ao caso dos incêndios de Pedrógão Grande - porque só assim os cidadãos poderão recuperar a confiança na soberania e na autoridade do Estado.

Até agora o CDS tem tido uma atuação muito firme, mas também muito prudente, porque para todas as perguntas que temos feito demos espaço e tempo para as respostas. Mas é bom que elas se apressem porque, de dia para dia, não se vê nada a melhorar nesta matéria e temos o clima de confiança a desvanecer-se ainda mais".

A presidente do CDS admite que o "primeiro-ministro tem muito que refletir", mas critica-o por estar "em silêncio há muitos dias" enquanto se assiste a "uma grande erosão na autoridade do Estado".

Para o próximo debate da Nação anuncia assim, por parte do seu partido, uma intervenção "com muita atenção, firmeza e acutilância". Não confirma nem desmente a hipótese de avançar com a moção de censura ao Governo hoje anunciada pelo jornal Expresso, mas garante: "Não deixaremos de sinalizar o que está mal".

Marcelo tem de intervir

Antes, à Lusa, o deputado centrista João Rebelo já tinha lamentado os sinais de "instabilidade" no ramo. A situação "perturba o regular funcionamento da instituição" depois de uma semana em que, considerou, "os acontecimentos de Tancos levaram o Presidente da República a ter uma intervenção muito forte" e em que "o ministro da Defesa está muito debilitado".

Faço um apelo a que a estabilidade regresse ao Exército, uma instituição que continua a prestar relevantíssimos serviços ao país e aguardamos uma intervenção que permita o regresso da tranquilidade".

Para João Rebelo, como Comandante Supremo das Forças Armadas, o "Presidente da República estará a analisar com muito detalhe e preocupação tudo o que está a acontecer".

O Exército confirmou hoje o pedido de passagem à reserva do tenente-general Antunes Calçada, Comandante do Pessoal, anunciando que será substituído no cargo, em acumulação, pelo vice-chefe do Estado-Maior do Exército, tenente-general Rodrigues da Costa.

O general alegou "divergências inultrapassáveis" com o chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, que decidiu exonerar os comandantes das cinco unidades responsáveis por alocar efetivos à vigilância dos Paióis Nacionais de Tancos, de onde foi furtado material de guerra, detetado no dia 28.

As mesmas razões estarão na base da decisão do Comandante das Forças Terrestres, tenente-general Faria Menezes, de pedir a exoneração do cargo, segundo o Expresso, na próxima segunda-feira.