O PSD quer ouvir no parlamento a ministra da Administração Interna e o presidente demissionário da Autoridade Nacional de Proteção Civil para explicarem a situação e garantirem que o combate aos incêndios não vai ser prejudicado.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da bancada do PSD, Hugo Soares, disse que a demissão hoje do presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) surpreendeu por ser numa altura em que o país se encontra fustigado por um conjunto de incêndios que têm alarmado as populações e devastado uma grande parte do território.

Por isso, o PSD considera que a ministra da Administração Interna e o presidente demissionário da ANPC têm que rapidamente dar justificações acerca deste facto. Vamos hoje mesmo apresentar um requerimento com caráter de urgência na Comissão de Assuntos Constitucionais, Liberdades e Garantias para os podermos ouvir acerca da demissão e sobre o que a senhora ministra está a preparar-se para fazer para acautelar o combate aos incêndios”, sublinhou.

Hugo Soares disse ainda que o PSD quer também que Constança Urbano de Sousa “garanta que a ANPC não sofrerá com toda a situação”.

Durante a tarde, o CDS-PP anunciou que vai viabilizar "o requerimento já anunciado pelo PSD para que a senhora ministra e o demissionário ou demitido (...) presidente da ANPC possa vir ao parlamento", declarou o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, à agência Lusa.

O centrista sublinhou que o país vive ainda um "momento muito difícil" a nível de fogos florestais, com "bastantes incêndios ainda por resolver" e uma semana onde o calor se tem sentido particularmente.

O partido espera, nesse sentido, que a saída do presidente da Proteção Civil, hoje conhecida, não "venha a influenciar negativamente a capacidade de resposta" da entidade.

O presidente da ANPC demitiu-se do cargo na sequência do inquérito ao caso dos helicópteros Kamov, disse à Lusa fonte do Ministério da Administração Interna (MAI).

Segundo a fonte, Francisco Grave Pereira apresentou na segunda-feira à ministra o pedido de demissão, que foi aceite.

A ministra dará mais pormenores sobre o assunto na conferência de imprensa que está agendada para as 12:00, na Proteção Civil, para o balanço operacional intercalar da Fase Charlie do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais de 2016 relativo ao mês de agosto.

A demissão está relacionada com o inquérito que no verão do ano passado a então ministra da Administração Interna Anabela Rodrigues determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) que abrisse para averiguar os problemas com os Kamov.

A notícia foi inicialmente avançada pelo jornal Público, que adianta que a IGAI imputa a Francisco Grave Pereira "violação do dever de zelo na forma como a autoridade geriu o processo de transferência dos seis helicópteros pesados Kamov para a empresa que os está a operar, a Everjets".

Em declarações hoje à Lusa, o vice-presidente da bancada do PSD disse que o partido vai pronunciar-se sobre o relatório determinado por Anabela Rodrigues quando forem conhecidas as conclusões.

O importante agora é que esta demissão não prejudique o combate aos incêndios”, concluiu.