A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, apresentou a demissão esta quarta-feira. Numa nota enviada à comunicação social, o primeiro-ministro, António Costa, informou que já aceitou a demissão.

A Ministra da Administração Interna apresentou-me formalmente o seu pedido de demissão em termos que não posso recusar", sublinha o primeiro-ministro neste comunicado.

"Quero publicamente agradecer à professora Doutora Constança Urbano de Sousa a dedicação e empenho com que serviu o país no desempenho das suas funções", continua o chefe do Executivo na mesma nota. 

Na carta enviada ao primeiro-ministro, a ministra esclarece que "logo a seguir à tragédia de Pedrógão" pediu para que fosse libertada das suas funções, não se tendo demitido logo na altura para que o Executivo tivesse tempo de encontrar quem a substituísse. Constança Urbano de Sousa refere ainda que António Costa lhe pediu para se "manter em funções", tendo aceitado este pedido com o "propósito de servir o país e o Governo".

Logo a seguir à tragédia de Pedrógão pedi, insistentemente, que me libertasse das minhas funções e dei-lhe tempo para encontrar quem me substituísse, razão pela qual não pedi, formal e publicamente, a minha demissão. Fi-lo por uma questão de lealdade", começa por dizer a ministra na carta.

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A governante destaca que, agora, na sequência dos incêndios do fim de semana, "não tinha condições condições políticas e pessoais para continuar no exercício deste cargo".

"Tendo terminado o período crítico desta tragédia e estando já preparadas as propostas de medidas a discutir no Conselho de Ministros Extraoridnário de dia 21 de outubro, considero que estão esgotadas todas as condições para me manter em funções, pelo que lhe apresento agora, formalmente, o meu pedido de demissão, que tem de aceitar, até para preservar a minha dignidade pessoal", sublinha a ministra.

A demissão da ministra surge depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter feito um discurso muito duro e cheio de recados para o Governo, na terça-feira. O Presidente da República apelou mesmo a uma remodelação do Executivo, quando falou na necessidade de "abrir um novo ciclo".

 "Abrir um novo ciclo obrigará o Governo a decidir o quê, quem, como e quando serve esse ciclo", sublinhou Marcelo.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos e cerca de 70 feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça e quinta-feira.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 mortos e mais de 250 feridos.