O deputado socialista Jorge Lacão afirmou esta quarta-feira que apresentou a sua demissão do Secretariado Nacional do PS por divergências em relação à linha da atual direção liderada por António José Seguro.

«É verdade que apresentei a minha demissão. Vou fazer uma declaração pública ainda esta tarde», referiu o ex-ministro do segundo Governo liderado por José Sócrates.

O tempo é de contagem de espingardas no PS, numa altura em que ainda se aguarda a marcação da reunião entre António José Seguro e António Costa, depois de o presidente da Câmara Municipal de Lisboa ter anunciado a disponibilidade para avançar para a liderança do partido.

Jorge Lacão entrou para o Secretariado Nacional do PS na sequência do último congresso dos socialistas em abril de 2013. No início de 2013, Jorge Lacão esteve para desempenhar as funções de diretor de campanha da candidatura então não concretizada de António Costa à liderança do PS.

Depois, na sequência acordo entre António José Seguro e António Costa, numa lógica de maior abrangência de todas as sensibilidades internas na direção deste partido, Jorge Lacão entrou para o Secretariado Nacional do PS.

Lacão defendeu que o António José Seguro devia ser o primeiro a considerar a hipótese de convocar um congresso extraordinário. «Considero que o secretário-geral do PS devia ser o primeiro a considerar da oportunidade de convocar um congresso. Não tenhamos dúvidas sobre formalismos procedimentais ou estatutários. Ser líder do PS, para ser líder do país, implica uma grande força e uma grande base política de sustentação e isso o PS tem de clarificar», afirmou, em declarações aos jornalistas, no Parlamento.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, anunciou terça-feira estar disponível para avançar para a liderança do PS, mas vários elementos da direção consideraram que eventuais eleições diretas ou um congresso extraordinário para a escolha de um novo secretário-geral têm de respeitar as normas previstas nos estatutos partidários.

«A minha opinião é a de que se impõe a convocação de um congresso extraordinário do PS e que se devolva aos militantes do PS a opinião sobre o aprofundamento e clarificação da estratégia geral do partido e da sua liderança. A derrota histórica da direita não é acompanhada pela mobilização do eleitorado, tanto à esquerda como à direita, que o PS, um partido com ambição de poder, mas sobretudo com a ambição de apresentar uma alternativa, que seja estável e coerente para o país, precisa de apresentar», continuou Lacão.

«No meu entendimento profundo da situação que o PS está a viver, impõem-se orientações que não são aquelas que foram transmitidas por outros colegas em nome da direção. Para tomar uma posição franca e aberta, o devo fazer sem ter qualquer constrangimento em relação a qualquer dever de lealdade funcional no âmbito do secretariado nacional e por isso apresentei a minha demissão», explicou Lacão.

Sobre se vai apoiar António Costa numa eventual candidatura à liderança do partido «rosa», Lacão preferiu dizer que esse será «um momento superveniente de opção política».

Notícia atualizada