O deputado socialista Miguel Freitas disse hoje que a demissão do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural é «preocupante» e revela a «desvalorização» que o setor florestal tem merecido do atual Governo.

«Esta é uma matéria que, por parte da ministra Assunção Cristas, nunca mereceu a atenção devida», criticou, considerando que o facto de a ministra chamar a si as competência que eram exercidas por Francisco Gomes da Silva «é a desvalorização absoluta» do setor florestal.

Miguel Freitas sublinhou que «as florestas tiveram sempre a dignidade de Secretaria de Estado ao longo de todos os governos», tratando-se de «uma matéria relevantíssima do ponto de vista da economia nacional», pelo que Assunção Cristas «não sai bem de todo este processo».

O secretário de Estado foi exonerado a seu pedido, segundo o Ministério da Agricultura e Mar, e as suas funções «serão assumidas internamente» pela ministra e restante equipa, que fica assim reduzida a três secretários de Estado (Agricultura, Mar e Alimentação e Investigação Agroalimentar).

Além de «surpreendente», já que se tratava de uma escolha pessoal de Assunção Cristas, Miguel Freitas afirmou que a saída de Gomes da Silva é «preocupante», podendo implicar atrasos nas medidas florestais do próximo programa comunitário (Programa de Desenvolvimento Rural 2020), e na estratégia nacional das florestas que está a ser finalizada.

«Não deve ser por razões pessoais que esta demissão se verifica. Tem a ver naturalmente com o facto de a floresta não constituir uma prioridade para este Governo, que vai triturando secretários de Estado. De ano e meio em ano e meio temos um secretário de Estado das Florestas», comentou Miguel Freitas, numa alusão ao primeiro secretário de Estado das Florestas do executivo de Passos Coelho, Daniel Campelo, que foi substituído por Francisco Gomes da Silva em fevereiro de 2013.

Quercus surpreendida

O presidente da Quercus mostrou-se hoje surpreendido com a demissão do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural e defendeu a sua substituição, em vez da repartição de competências pela restante equipa ministerial.

«Foi para nós uma surpresa grande, não estávamos à espera, ainda para mais nesta fase final do mandato do governo e até porque já é o segundo secretário de Estado que existe», Nuno Sequeira.

O presidente da Quercus mostrou-se preocupado com o facto de «aparentemente» o ministério da Agricultura e Mar, liderado por Assunção Cristas, não estar à procura de um substituto e defendeu que o lugar merece um secretário de Estado a tempo inteiro.

«Se isso se confirmar é preocupante, na medida em que a área das florestas é uma área estruturante da política do nosso país, não só a nível ambiental, mas também a nível social e económico», assinalou Nuno Sequeira.

«Vamos aguardar explicações da senhora ministra (…) para tentarmos perceber melhor qual é o modelo proposto pelo ministério, sendo que achamos que esse modelo tem de passar sempre pela substituição do secretário de Estado e não por uma proposta deste tipo em que os secretários de Estado e a ministra ficariam a acumular o cargo de secretário de Estado das Florestas», acrescentou.

Para Nuno Sequeira, esta é uma área que «precisa de um secretário de Estado a tempo inteiro», pois implica um «desenho estratégico» a longo prazo que só é possível com uma equipa completa.

O presidente da Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA) manifestou-se hoje preocupado com a saída do secretário de Estado das Florestas do Governo, atendendo à importância do setor.

«A nossa reação é de surpresa, nada fazia prever a sua saída, até pelo trabalho que tinha vindo a fazer, de conciliador de todos os agentes do setor», afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da ANEFA, Pedro Serra Ramos.

«Ficamos preocupados com a sua saída, nomeadamente numa altura em que o novo quadro [comunitário] está a ser alvo de negociações em Bruxelas e as florestas são um pilar» do setor primário, acrescentou.