Marcelo Rebelo de Sousa não tem dúvidas. Com a demissão de Miguel Macedo do cargo de ministro da Administração Interna, Passos Coelho «tem nas próximas horas, ou nos próximos dias, nas suas mãos, o resultado das eleições do ano que vem», defendeu o professor, no seu comentário habitual no Jornal das 8 da TVI.

«Porque isto dá uma oportunidade única para a remodelação que tem vindo a adiar. Por ele, não fazia, para não ter de mexer no CDS, para não ser só o PSD, para não ter de mexer em pessoas com as quais trabalha. Mas pode escolher entre dois caminhos: um é tapar o buraco deixado por Miguel Macedo e segundo é aproveitar para fazer uma remodelação»


Primeiro, diz o professor, «há soluções simples: pega num deputado, tipo Fernando Negrão e coloca-o na Administração Interna ou pega, supondo que ele aceitaria, em Paulo Rangel e ele vai para a Administração Interna». Nesta solução de tapar buracos, poderia optar por outra solução, «mais sofisticada», que seria escolher Marques Guedes, atual ministro dos Assuntos Parlamentares que, por ser «paciente, zeloso, criterioso e calmo, dará um bom ministro da Administração Interna e substitui-o como ministro dos Assuntos Parlamentares por Luís Montenegro ou Rangel».

Uma solução que seria «uma pena», segundo Marcelo, porque os portugueses iam considerar que o Governo está a perder força:

«A leitura política que as pessoas fazem é que Governo se está a partir aos bocados. Embora toda a gente respeite a forma digna como Miguel Macedo saiu, dizem que sai um [ministro] depois sai outro e que há ministros fracos»

 
Por isso, defende, esta é uma oportunidade que Passos Coelho tem para encetar uma maior coordenação política e reforçar a presidência do conselho de ministros, «onde Poiares Maduro dá para os fundos mas não dá para a parte política do Governo». 

«Na minha opinião devia aproveitar para mexer na Justiça, que será a última coisa que ele fará, mas devia aproveitar.  Mas vai pensar que são só ministérios do PSD, que é uma maçada enorme e tal. É uma questão de ver se no CDS, retocando orgânica do Governo se poderão... Não sei é quais as pastas do CDS. Esse é que é o problema. Não estou a ver paulo portas a tirar os dele»


Portanto, duas alternativas: «Cerrar fileiras e dizer 'continuamos em frente'» ou seguir pela via da remodelação. Até porque «está a fazer um fogo de barragem bem feito a António Costa e de repente foi à vida com isto» dos vistos gold e da demissão de Miguel Macedo.

«Precisa de fôlego, de gente forte e com energia para o ano que vem, em várias pastas. Não vejo essa dinâmica e essa coordenação agpra. É escolher entre tentar ganhar já ou só daqui a quatro ou cinco anos», rematou. 

Marcelo considera que Miguel Macedo «fez bem» em sair. «Não tinha outro caminho»