O Bloco de Esquerda considera que a demissão da ministra da Administração Interna era "inevitável", depois da segunda tragédia em menos de quatro meses, provocada por incêndios que devastaram o país e ceifaram vidas. Porém, Catarina Martins defende que é preciso ir mais longe, ao mesmo tempo que mostra estar ao lado do Governo e contra a moção de censura apresentada pelo CDS-PP e o desafio da moção de confiança lançado pelo PSD hoje, durante o debate quinzenal

O modelo que aposta tudo no combate e nada na prevenção (...) provou-se absolutamente incapaz (...). A demissão da ministra era inevitável mas falta demitir o modelo que falhou, construir um novo"

Catarina Martins aludia à Proteção Civil e deu como exemplo o que se passa noutros países, como a vizinha Espanha ou a Austrália, frequentemente fustigadas por incêndios mas sem memória do que aconteceu em Portugal. António Costa garantiu que haverá um "novo ciclo" como pediu Marcelo Revelo de Sousa, "feito não de discursos mas de ação".

Também para o PCP a demissão da ministra "não resolve tudo". Jerónimo de Sousa defendeu que só um orçamento específico para as questões da floresta pode fazer a diferença. O primeiro-ministro respondeu citando o ministro das Finanças, Mário Centeno, que lhe disse, segundo Costa, que "não será o empenho na consolidação orçamental que frustrará o reforço na prevenção da floresta".

A "herança" de Cristas e um "truque grotesco"

Voltando a Catarina Martins, a líder bloquista considera ainda que esta é uma última oportunidade para mudar o estado de coisas, ao mesmo tempo que fez um exercício de memória para imputar responsabilidades também ao anterior Governo pela situação atual na floresta portuguesa.

Não há desculpa para falhar, mas também não há para quem nada fazendo pelos problemas da nossa floresta aproveita para explorar as suas consequências"

Foi aí que lembrou a "herança deixada pela ministra Assunção Cristas", que tinha a pasta das florestas no anterior Governo PSD/CDS-PP. A mesma política, agora líder do CDS-PP, que decidiu apresentar uma moção de censura contra o Governo, que será votada na próxima semana.

A moção de censura é-nos apresentada por Assunção Cristas, a ex-ministra dos eucaliptos. É chocante que venha invocar as responsabilidades dos outros quando enquanto ministra foi responsável pela liberalização total da expansão do eucalipto".

Criticou também o timing do anúncio dessa moção de censura. Fazê-lo no primeiro dia do luto nacional "é um truque grotesco". Carregou também na intensidade dos adjetivos ao qualificar o desafio da moção de confiança que o PSD lançou ao primeiro-ministro. De um "ridículo intolerável" para Catarina Martins, para quem a "exploração da vulnerabilidade do país é deplorável".

O primeiro-ministro concordou que "jogadas políticas" são "indignas do momento e da gravidade" daquilo que o país está a viver. 

A coordenadora do BE também defendeu que "há uma diferença entre atacar direitos básicos dos bombeiros, como fez o anterior Governo, e dar-lhes direitos e formação", tal como entre defender "interesses privados tal como têm feito sucessivos Governo PS, PSD e CDS" e pôr em primeiro lugar o interesse público.