A biografia autorizada de Pedro Passos Coelho, lançada esta terça-feira, faz novas revelações sobre o momento de maior crise na coligação PSD/CDS-PP - a demissão “irrevogável” de Paulo Portas. Revelações que causaram incómodo entre os centristas, sobretudo numa altura em que acabam de acertar a coligação para as legislativas deste ano. O primeiro-ministro conta, entre outras coisas, que Paulo Portas lhe comunicou a decisão por SMS e não mais lhe atendeu o telemóvel naquele dia 2 de julho.

Pelo CDS-PP, a primeira reação surgiu pela parte do dirigente centrista Diogo Feio, em declarações ao "Diário Económico":

“Era bom também que o livro dissesse de que forma o primeiro-ministro informou Paulo Portas sobre o nome da nova ministra das Finanças”. 

 
“Tudo isto começou com uma SMS…”, deixou ainda no ar, colocando em causa “a credibilidade” da biografia.

No livro de 234 páginas da autoria da assessora parlamentar do PSD Sofia Aureliano, há citações que são atribuídas ao próprio Passos Coelho. Conta por exemplo, na primeira pessoa, que o na altura ministro dos Negócios Estrangeiros não estava confortável com a nomeação de Maria Luís Albuquerque como ministra das Finanças. E diz mais:

"Fui almoçar e quando ia a caminho da comissão permanente, às 15h00, recebi uma SMS do Dr. Paulo Portas a dizer que tinha reflectido muito e que se ia demitir". 


Outro momento recordado – e com contornos novos – é o da demissão do ministro das Finanças Vítor Gaspar. No livro, esse verão de 2013 é caracterizado como “a grande crise”, num quadro de "incompatibilidades" crescentes e "antipatia natural" entre o ministro dos Negócios Estrangeiros e o ministro das Finanças. 

A biografia atribui a Passos Coelho a seguinte frase que, segundo diz o livro, dirigiu a Portas sobre a demissão de Vítor Gaspar:

"Ele não vai aceitar ficar e eu, no lugar dele, também não aceitaria".

 A demissão "irrevogável" - palavra de Paulo Portas na altura - acabou por não se efetivar. Deixou o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros para ser promovido a vice-primeiro-ministro. Passos Coelho também conseguiu que Maria Luís Albuquerque, a sua primeira escolha para suceder a Gaspar, viesse mesmo a ser ministra das Finanças, cargo que mantém atualmente.