O deputado do PSD Duarte Pacheco considerou existir "um problema" na execução orçamental do primeiro trimestre, divulgada esta terça-feira, prevendo que o Governo socialista tenha de "tomar mais medidas".

Há um agravamento do défice face ao mesmo período do ano passado, o que significa que já estamos aqui com um problema porque o Governo queria descer o défice de cerca de 2,8% - se tirarmos o efeito Banif - para 2,2%. Em vez de descer está maior porque as receitas fiscais estão abaixo do ano passado e as despesas acima", disse o parlamentar social-democrata no parlamento.

Também o CDS-PP considerou "preocupantes" os dados da execução orçamental, onde se denota que está a haver "um aumento do défice e um agravamento da situação das finanças públicas", insistindo que "as contas não batem certo".

Estes dados, que são dados de execução orçamental de agravamento do défice, são dados preocupantes", afirmou a deputada do CDS-PP, Cecília Meireles, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Recordando que, desde a discussão do Orçamento do Estado para 2016, o CDS-PP e diversas instituições internacionais têm alertado para o facto das "previsões e contas" do documento "não baterem certo", Cecília Meireles considerou que a execução orçamental já denota que está a haver um aumento do défice e um agravamento da situação das finanças públicas.

Olhando para a crueza dos números, o que está previsto é que o défice diminua e ele está a aumentar", salientou.

Questionada sobre a explicações avançadas pelo ministro das Finanças, a deputada do CDS-PP disse que o importante "é perceber se as contas que estão previstas vão ou não bater certo".

Acho que é preocupante que os primeiros sinais sejam de que elas de facto não estão a bater certo e estão a evoluir em sentido contrário àquele que era esperado", acrescentou.

PS defende que execução demonstra “evolução da despesa controlada”

O PS tem opinião oposta. O líder parlamentar do PS, Carlos César, defende que a execução orçamental está muito próxima do que foi previsto pelo Governo, com uma subida ligeira das receitas e uma "evolução da despesa controlada".

A execução orçamental tem demonstrado, por um lado, uma subida ligeira das receitas e por outro lado uma situação de evolução da despesa controlada", afirmou Carlos César à saída de uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa.

Apesar do aumento de mais de 100 milhões de euros do défice, o líder parlamentar socialista recusou tratar-se de uma execução orçamental negativa, contrapondo que está "muito próxima daquilo que era previsto pelo Governo e não constitui de momento nenhum motivo de preocupação".

No que diz respeito à despesa há um problema que tem sido diagnosticado sobretudo na área da saúde, o acréscimo da despesa de pessoal nessa área, que tem a ver com o alargamento desse contingente de pessoal feito desse setor no segundo semestre do ano passado, o que, evidentemente, comparado em termos homólogos, dá uma maior diferenciação", ressalvou.

Continuamos confiantes de que a execução orçamental decorrerá conforme as nossas previsões, se não existirem circunstâncias externas da economia portuguesa que não tenham sido previstos", acrescentou.