Jerónimo de Sousa criticou, nesta sexta-feira, a “redução apressada” do défice pelo Governo, apesar de existirem “elementos positivos” na execução orçamental até julho.

Há elementos positivos, particularmente em relação à receita fiscal”, cujo aumento, nomeadamente do IVA, se deve à “reposição de direitos e rendimentos e, consequentemente, ao aumento do consumo interno”, disse o secretário-geral do PCP, à margem de um jantar em Grândola, na Feira de Agosto, com os candidatos da CDU às eleições autárquicas no concelho.

Segundo Jerónimo de Sousa, que reagia aos números da execução orçamental até julho, divulgados hoje, “há um elemento” que “preocupa” o PCP, em relação ao investimento público do Governo do PS.

É que leva a um crescimento muito pequeno, que não corresponde às necessidades reais do país, particularmente em termos de investimento humano, em que é preciso dar resposta em áreas tão sensíveis como a da saúde, que vai ter um crescimento muito reduzido.”

E “um outro aspeto que pesa negativamente”, continuou, “é o peso do serviço da dívida, que consome muito dinheiro que poderia ser aplicado nesse investimento”.

Portanto, nós discordamos que a redução do défice se faça desta forma apressada, elevada, quando nada justifica isto.”

O défice totalizou 3.763 milhões de euros até julho, um recuo de 1.153 milhões de euros face a 2016, graças ao aumento "expressivo" da receita de 3,2% e de uma "estabilização" da despesa, segundo as Finanças.

Para Jerónimo de Sousa, “com o dinheiro aplicado para a questão do défice, falta dinheiro, depois, para responder a esse investimento público necessário para as nossas infraestruturas, para o desenvolvimento da produção nacional e, fundamentalmente, faz falta para dar resposta a esse capital humano, particularmente no plano dos trabalhadores da administração pública”.

O líder comunista sublinhou que, perante estes fatores, existe “esta contradição” no que diz respeito à execução orçamental. “Os elementos são positivos”, mas, sem a renegociação da dívida e sem que seja considerado o próprio peso do serviço da dívida, surge “aquela teoria da manta curta”.

Em nome de o défice reduzir drasticamente, depois, falta dinheiro naquilo que é essencial e que os portugueses cada vez mais anseiam”, como é o caso do investimento no setor da Saúde, insistiu.

Apesar das críticas, o secretário-geral do PCP fez questão de vincar que o país, hoje, “está melhor”, ao ter seguido uma “linha de reposição de rendimentos e de direitos”.

Isso é uma marca que vem derrotar e deitar por terra toda aquela argumentação do PSD e do CDS de que não podia haver essa resposta de reposição, de conquista e defesa de direitos. Aí está, afinal a economia não piorou, antes pelo contrário, melhorou.”

Na sua intervenção, durante o jantar com os candidatos da CDU ao concelho de Grândola para as autárquicas de 1 de outubro, e perante militantes e simpatizantes comunistas, Jerónimo de Sousa criticou também o Governo PS por não ser “capaz de ter uma posição firme” em relação às “imposições da União Europeia” e para resolver “problemas de fundo” como é o “caso da PT”.

Uma multinacional estrangeira quer liquidar a maior empresa de telecomunicações” do país, mas o Governo “não é capaz de dizer à Altice: parem, porque, se não pararem, a PT deve ter outra vez controlo público.”