O PS acusou o Governo de fazer consolidação orçamental «indo ao bolso dos portugueses», através de um aumento «brutal» da arrecadação de IRS, e de se revelar incapaz de cortar na despesa do Estado.

Estas críticas ao executivo PSD/CDS foram feitas pelo coordenador para as questões de economia da bancada socialista, Rui Paulo Figueiredo, na Assembleia da República, após a divulgação da síntese orçamental de agosto.

De acordo com os dados da Direção Geral do Orçamento, o défice das administrações públicas atingiu os 4.685,7 milhões de euros até agosto deste ano, em contas públicas, uma melhoria de 769 milhões de euros em termos homólogos.

Perante estes dados, Rui Paulo Figueiredo disse que uma vez mais terá ficado provado que Portugal «tem um Governo que não consegue diminuir a despesa e que faz consolidação orçamental indo ao bolso dos portugueses».

«Temos a despesa a aumentar em 3,3 por cento em termos homólogos. O Governo já terá dito que tal se deve à reposição de salários, mas a verdade é que as aquisições de bens e serviços e as transferências correntes continuam a aumentar. Por outro lado, as despesas estruturais que seriam cortadas, afinal, não o foram», referiu o deputado socialista, dando como exemplo as Parcerias Público Privadas.

«Até agora zero de contratos assinados, zero de contratos aprovados em Conselho de Ministros e zero de poupanças», sustentou o coordenador do Grupo Parlamentar do PS para as questões de economia.

Do lado da receita, Rui Paulo Figueiredo disse que se verifica «um aumento brutal da arrecadação fiscal».

«Saudamos tudo o que tenha a ver com combate à fraude e evasão fiscal, mas os dados dizem-nos que temos antes um aumento da arrecadação do IRS em quase de 12 por cento. Ao mesmo tempo, temos as prestações sociais a caírem», acrescentou o deputado do PS à Lusa.

O Bloco de Esquerda (BE) disse que a melhor forma de analisar os dados da execução orçamental é olhar para o recibo de vencimento, de todos os que trabalham, e atestar o «assalto» que decorre há três anos.

«A melhor forma de explicar estes dados da execução orçamental é pedir a qualquer trabalhador ou trabalhadora que chegue a casa e veja o seu recibo de vencimento. E veja o assalto que lhe foi feito nos últimos três anos. Aqui, nesse assalto, terá a explicação dos dados da execução orçamental até agosto», começou por dizer a deputada do BE Mariana Mortágua.

O deputado do PCP Miguel Tiago lastimou hoje o «assalto fiscal ao trabalho» continuado pelo Governo da maioria PSD/CDS-PP, ao comentar os mais recentes dados da execução orçamental, revelados pela Direção-Geral do Orçamento (DGO).

«Os números são o retrato da política que o Governo vem protagonizando e impondo aos portugueses até aqui. A grande parte da receita é precisamente obtida através do assalto fiscal ao trabalho e ao consumo das famílias, por via do IRS e do IVA. Ainda assim, o Governo consegue abater até agosto, em comparação com o ano anterior, 770 milhões de euros ao défice, apesar de ter cobrado, só em IRS e IVA, aos trabalhadores e às famílias, mais de 1.500 milhões», resumiu, nos Passos Perdidos do Parlamento.