O ministro da Defesa disse ser importante Portugal ter um sentido estratégico da sua posição no mundo, no atual contexto de crises internacionais, considerando que quando um país perde soberania financeira enfrenta um problema de defesa nacional.

José Pedro Aguiar-Branco afirmou que esta questão também se coloca «pelas lógicas mais recentes das eleições na Grécia, do debate ideológico que resulta sobre opções que têm de ser tomadas a nível do desenvolvimento económico e da forma de em escala podermos responder a ameaças que advêm desse mundo e que também põem em causa a defesa nacional».

O ministro sublinhou que «quando há menos soberania financeira ou quando há questões de natureza económica que conduzem a um país ficar sobre resgate estamos a cuidar de matérias de defesa nacional», afirmou na abertura de uma conferência no Funchal, no âmbito do ciclo «Ter Estado», promovido pelo Instituto de Defesa Nacional (IDN), subordinado ao tema «Regulação, Estratégia e Crescimento Económico».

«Julgo que a atualidade que vivemos, na sua dimensão polifacetada, nas matérias estritas da Defesa, que associamos na lógica mais militar, aconselham a uma discussão, um debate muito sério sobre o papel estratégico de Portugal», disse José Pedro Aguiar-Branco

«A crise na Ucrânia, a crise do dito Estado Islâmico, a atmosfera que vivemos a esse nível mostra quanto importante é Portugal ter um sentido estratégico da sua posição no mundo», defendeu o governante.

Destacando a importância de discutir o binómico Estado/sociedade e as dependências que cada uma destas realidades cria, José Pedro Aguiar-Branco admitiu que hoje existe uma “perspetiva negativa” da intervenção do Estado em muitas das suas áreas.

«É necessário ter Estado? Sim. Deve ter um papel relevante e fundamental na sociedade? Sim”, argumentou o ministro, vincando que a discussão sobre o seu papel deve ser “pela positiva», permitindo aferir onde deve intervir.

O ciclo de conferências «Ter Estado» do IDN começou em novembro de 2014 e termina em abril deste ano, tendo tido antes como palcos o Porto, Santarém e Viseu, nos quais foram abordados aspetos relacionados com a política, a fiscalidade e finanças públicas e os fundos estruturais e investimentos.

Na conferência no Funchal participam Vitor Bento (conselheiro de Estado e professor de Economia), Miguel Frasquilho (presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), Maria Manuel Leitão Marques (investigadora do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) e o antigo deputado do PCP Honório Novo.