O ministro da Defesa disse não querer avançar com insinuações, mas registou a coincidência entre o roubo de material militar dos paióis de Tancos e o despacho que assinou para reforçar o perímetro de segurança do local, que o Exército pedira em março.

Em entrevista ao jornal da noite do canal televisivo SIC, Azeredo Lopes afirmou registar a “circunstância peculiar da coincidência [do roubo] com a decisão do reforço do perímetro de segurança” dos Paióis Nacionais de Tancos, sublinhando, porém, não querer insinuar nada, nem “aligeirar carga” das responsabilidades.

Segundo um despacho publicado sexta-feira em Diário da República, o Ministério da Defesa Nacional autorizou, a 5 de junho, uma despesa de 316 mil euros, mais IVA, para a "reconstrução da vedação periférica exterior no perímetro norte, sul e este dos Paióis Nacionais de Tancos", Vila Nova da Barquinha.

Em comunicado, o Exército anunciou na quinta-feira que foi detetada quarta-feira ao final do dia a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois ‘paiolins’, tendo hoje precisado que entre o material de guerra roubado estão "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogénio e explosivos, mas não divulgou as quantidades.

Azeredo Lopes comentou que cabe ao ministro da Defesa “alocar ao exercito a função de garantir a segurança de instalações militares”, explicando o processo legal e burocrático de lançamento de concursos, como o referente à vedação de Tancos.

Avisados aliados internacionais

O ministro referiu ainda a ordem que deu para serem avisados os aliados internacionais do ocorrido e que aos parceiros da NATO “foi dita a verdade”, recusando, porém, que este caso tenha sido a “maior quebra de segurança da União Europeia”.

Na quinta-feira, em Bruxelas, à margem de uma reunião ministerial da NATO, o ministro da Defesa reconheceu que o roubo de granadas de mão ofensivas e munições das instalações militares "é grave" e garantiu que não ficará "nada por levantar" nas averiguações.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, considerou que o furto de munições de guerra de dois paióis em Tancos "é gravíssimo", além de deixar Portugal numa situação incómoda a nível internacional.

Entendemos que é gravíssimo aquilo que aconteceu (...) e obviamente causa perplexidade, preocupação e que, inclusivamente, do ponto de vista internacional deixa Portugal numa situação muito incómoda", afirmou.

PSD e CDS-PP anunciaram já que querem ouvir o ministro da Defesa no Parlamento sobre o assunto. O PSD requereu também a audição do chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte.

O PCP classificou o assalto a um paiol militar em Tancos como um "caso de extrema gravidade a necessitar de todo o apuramento, incluindo a retirada de consequências”, enquanto o BE questionou o Governo, querendo saber o que falhou e que medidas serão tomadas para o recuperar, pedindo esclarecimentos sobre a eventual avaria na videovigilância.