O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, admitiu esta quarta-feira que que a Marinha está a avaliar a compra de um navio polivalente logístico (NPL) à França que poderá custar cerca de 80 milhões de euros.

As declarações do governante foram proferidas na comissão parlamentar de Defesa, na discussão na especialidade da Lei de Programação Militar (LPM) e da Lei de Programação de Infraestruturas Militares (LPIM), depois de questionado pelo deputado do PSD André Pardal sobre a eventual compra do NPL «Sirocco».

Aguiar-Branco revelou que a compra de um navio construído de raiz «é inviável» pelo seu custo elevado, à volta dos 400 milhões de euros, e que a Armada «está a avaliar que outros programas podem servir de vasos comunicantes» neste negócio, que vai exigir «realocação de verbas».

«O Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) fez-nos chegar a indicação de que seria interessante avaliar esta aquisição, para isso acontecer terá de haver alteração de outros programas para assegurar o financiamento (…) está em avaliação concreta e séria a possibilidade deste negócio se concretizar», afirmou.

Na audição parlamentar, o ministro da Defesa criticou vários projetos de reequipamento militar da responsabilidade de governos socialistas, como o das viaturas blindadas Pandur ou dos helicópteros NH90, que tiveram de ser cancelados por serem «incomportáveis» e «um sorvedouro de dinheiro».

Nas respostas ao PSD e ao CDS, Aguiar-Branco adiantou ainda que o programa de substituição da arma ligeira nos três ramos irá renovar «cerca de 10 500» equipamentos, mas que as necessidades totais andam à volta «de 70 mil armas».

O ministro da Defesa afirmou ainda que a decisão de compra dos aviões KC-390, para a Força Aérea, pode avançar em 2015 e que a LPM prevê 40 milhões de euros para pagamentos iniciais.

O governante adiantou que o Ministério da Defesa aguarda que o fabricante, a Embraer, apresente uma proposta de preço e sobre as capacidades das aeronaves e que «não há condições neste momento para tomar uma decisão».

«O que é importante é que há condições para que eventualmente em 2015 se tome uma decisão do ponto de vista político e financeiro.»